quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Pessoa e Crowley encontraram-se no dia 23 de Setembro
Em Setembro de 1930, Aleister Crowley chega inesperadamente à cidade de Lisboa, com o pretexto de conhecer Fernando Pessoa, com quem se corresponde há algum tempo, em torno dos interesses comuns em astrologia e esoterismo. É o poeta que o recebe no Cais da Rocha do Conde de Óbidos. Pouco mais se sabe, com segurança, sobre o que se passou entre eles. Crowley, conhecido por muitos como a Besta 666, é uma das figuras mais enigmáticas do seu tempo. Expulso de Itália por Mussolini, sobre ele recaem as acusações de culto ao demónio e práticas de magia negra. Dias depois da sua chegada a Lisboa, o mágico ocultista vai a Sintra jogar uma misteriosa partida de xadrez e desaparece nos penhascos da Boca do Inferno, deixando atrás de si uma críptica nota de suicídio. A imprensa agita-se com o seu desaparecimento e as informações contraditórias que surgem a propósito. Cresce a especulação em torno do envolvimento de Pessoa na suposta encenação macabra.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Significado de "Loja"
O termo provém do germânico: leubja (pronúncia: lóibja) e do frâncico: laubja, através do francês: loge e designa o pavimento térreo de um prédio, a casa comercial estabelecida em loja e, também, uma corporação maçónica e o local onde ela realiza reuniões. Originada nas Guildas medievais, a palavra leubja significava, na antiga língua germânica, lar, casa, abrigo; e acabou dando origem a termos de sentido eventualmente diferente, em outros idiomas: lodge, em inglês, loge, em francês, loggia, em italiano, logia, em castelhano. Em português, a palavra Loja provém do frâncico (idioma dos antigos francos) laubja, através do francês loge e designa, além da Loja maçónica. o pavimento térreo de um prédio, ou o estabelecimento comercial.
Em francês, todavia, loge significa choça, cubículo, camarote, camarim e loja maçónica (o estabelecimento comercial é "boutique"). Em italiano, o termo loggia passou a designar a entrada de edifício, ou galeria usada para exposições artísticas, para venda de produtos artesanais, ou como pátio, varanda, alpendre, além de Loja maçónica. Em inglês, o termo lodge significa cabana, furna, toca, choupana e loja maçónica (o estabelecimento comercial é "magazine"). Portanto, nem todas essas palavras designam casas comerciais, mas todas designam a corporação maçónica e o local de suas reuniões.
O termo surgiu, pela primeira vez, em 1292, num documento de uma Guilda, organização medieval de ofício.
As guildas de mercadores adoptaram a palavra, para designar os seus locais de depósito e de venda dos produtos manufacturados, enquanto as guildas artesanais a usaram, para designar os seus locais de trabalho, ou seja, as oficinas dos artesãos. Destas últimas, originou-se o nome dos locais de reuniões maçónicas e da corporação.
A Bula “In Eminenti” do Papa Clemente XII
A Bula “In Eminenti” assinada pelo Papa Clemente XII em 1738, foi na verdade uma articulação daqueles que estavam à sua volta, sob o comando do Cardeal Néri Corsini, sobrinho, assessor e braço direito de Clemente XII.
O Papa nessa época estava muito doente, quase não saia da cama (sofria de artrose severa que praticamente o impedia de sair da cama, que os médicos da época chamavam de “gota” e tinha também uma érnia, que por vezes lhe saíam as vísceras, precisava sempre andar com ligaduras para mantê-las no lugar), e completamente cego.... Tudo o que ele assinava, tomava conhecimento através do que lhe era falado.
Depois do conteúdo de qualquer documento ser explanado e, ele estando de acordo, seu assessor, o Cardeal Corsini, orientava sua mão na parte do documento que deveria ser assinada. Sinteticamente, como a maioria de nós já sabe, a Bula diz que quem frequentar Ordens Iniciáticas Secretas (inclui-se aí a Maçonaria) será excomungado.
Vamos narrar alguns fatos históricos importantes para entendermos porque e como ela foi elaborada.
A Igreja Romana preocupava-se especificamente com um oficial Inglês chamado Barão Stosch, pois para a época ele era um revolucionário que pregava ideais de liberdade que colocavam em risco o poder da Igreja, além disso falava aos quatro ventos que era um “Liberi Muratori” (Free-Mason - Franco-Maçom) e membro de uma Loja Maçônica em Florença, como a Igreja já tinha conhecimento de que na Ordem havia um “grande segredo” que não poderia ser revelado, esse foi um motivo muito grande para colocar a Ordem na mira do poder da Igreja.
Vale um esclarecimento, a maioria esmagadora das Lojas Maçónicas Européias do séc XVII e XVIII formam fundadas por Ingleses, Irlandeses e Escoceses, das mais variadas áreas profissionais.
É bom reforçar, todas elas tinham Ingleses, Irlandeses e Escoceses em seus quadros, que para a Igreja Católica eram considerados hereges.
Ocorre que nem na própria Maçonaria, em Florença, o Barão Stosch era bem quisto. Mas, como ele era amicíssimo e mantinha um óptimo relacionamento com Sua Majestade o Rei da Inglaterra, ninguém tinha coragem de propor sua saída da Ordem e de Florença e, apesar da Igreja pressionar o Grão-Duque da Toscana a expulsar o mencionado oficial, ele demora a executar essa ordem, pois também não queria criar um problema sério com o Rei da Inglaterra.
Os Membros do Clero que estavam assessorando o Papa estavam de olho nele e na Maçonaria de algumas cidades Italianas, (Florença, Veneza, Pisa) e era contra elas que estavam preparando uma “punição”. Mas, por sua (da maçonaria) dita “universalidade”, o Vaticano acabou estendendo essa “punição” para toda a instituição européia continental, a coisa deixaria de ser pessoal e passaria a ser contra a instituição. Mais ou menos assim: - matar a vaca para acabar com o carrapato.
Desde o Século XVII a alta cúpula do Papado de Roma estava preocupada com a nova sociedade, que surgia com muita força em quase todos os países da Europa. Denominada Franco-Maçonaria, não por evidências de desvio de comportamento de seus integrantes, mas principalmente pelo conteúdo do juramento que era prestado pelos homens que nela entravam.
Percebam que já era de conhecimento da Igreja, desde o final do Séc. XVII, o conteúdo do Juramento da nossa Cerimônia de Iniciação Maçônica.
O que lhes causava verdadeiro “pânico” era os iniciados se permitirem ter uma morte “horrível” e “cruel” se revelassem o seu segredo.... Que era o de ter o P.'. cortado e a cabeça A.'. e seu C.'. Ent.'. nas areias do mar, onde o F.'. e R.'. das ondas o mantivesse em P.'. Esquecimento.
Para eles, a permissão desse tipo de morte para guardar um segredo, dava margem a criarem um sem número de teorias conspiratórias contra o poder da Igreja no continente Europeu, e esse também foi o argumento utilizado pela Igreja para trazer como aliados Reis de alguns Países europeus. De forma bem objetiva não era nada mais que isso.
O conteúdo do nosso Juramento está escrito em vários documentos do Vaticano espalhados por toda a Europa, e estão guardados em Arquivos ou Bibliotecas Nacionais e no próprio Arquivo Secreto do Vaticano até hoje. >>>Só a título de curiosidade, o jornal londrino “The Flying Post” publicou nos dias 11, 12 e 13 de Abril de 1723, “a masons examination” (o exame de um maçom) e nessas edições, colocou todo o conteúdo do juramento prestado pelo Aprendiz no dia de sua Iniciação.
Quando o Vaticano, através dos assessores do Papa Clemente XII, resolveu tomar uma medida punitiva contra os Membros de algumas Lojas Maçónicas da Itália, repito, por causa de sua conhecida “universalidade” maçónica, resolveram estender isso para toda a Ordem existente na Europa católica. Acontece que a Maçonaria em sua Origem é eminentemente Cristã, na Inglaterra, Escócia e Irlanda não católica, mas cristã.
Quando os padres inquisidores, principalmente em Portugal e Espanha, foram atrás de seus membros para proibi-los de se reunirem sob pena da excomunhão, surpreenderam-se, pois todas as Lojas já não mais se reuniam, resolveram encerrar suas actividades assim que tomaram conhecimento da proibição pela Bula Papal.
Podemos perceber aqui que, como sabemos, os Maçons respeitaram o que juravam, assim como fazemos hoje, respeitar as Leis, os Poderes Constituídos e a soberania dos Reis e, naquela época, uma ordem Papal era Lei.
Ninguém fora da Ordem sabia que o juramento “terrível”, restringia-se apenas à divulgação dos toques, sinais e palavras pelos quais os Obreiros utilizavam para se reconhecer em qualquer lugar do mundo.
A Maçonaria naquela época era realmente de ajuda mútua, quando um Irmão precisava de ajuda, os outros se reuniam e o ajudavam para evitar que “profanos” tirassem proveito dessa ajuda mútua, juravam segredo quanto aos sinais, toques e palavras... Comportamento este herdado das antigas guildas de pedreiros livres.
Bem resumidamente, o incomodo que o Barão Stosch causava no Clero com seus discursos revolucionários, associada a essa falta de entendimento da diferença do juramento, mais o medo da força que a Ordem vinha adquirindo por causa do nível intelectual de seus membros e da “febre’ que acometeu a alta sociedade europeia em participar da Ordem, foram as principais causas para a Edição da Bula.
Esses fatos resumidamente colocados acima, são ingredientes mais do que suficientes para compreendermos o que aconteceu depois...
É da natureza humana criar monstros onde não existem, o desconhecimento causa perturbação, que geram as suposições e as teorias conspiratórias, que acabam tornando-se problemas reais... Daí à acção é apenas um pequeno passo....
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sábado, 25 de julho de 2009
Conto iniciático-Branca de Neve

Logo de saída a história de Branca de Neve nos indica q o ponto de vista a ser tomado para entendê-la, mais profundamente, é o iniciático. Chama atenção que o personagem central, Branca de Neve, sintetize em si as três cores que simbolizam, no Hermetismo (2), as três etapas da prática espiritual estabelecida por aquela doutrina: o negro, o branco e o vermelho que correspondem, respectivamente, ao nigredo, albedo e rubedo dos alquimistas. Além disso, os sete anões, que trabalham numa mina buscando ouro, são uma clara alusão a outro aspecto do simbolismo alquímico, que nos informa ser a meta do alquimista a transformação dos metais impuros em ouro.
Não é também por acaso que a história se divide claramente em três partes. Na primeira, Branca de Neve vive no castelo comandado pela rainha má desde o nascimento até quando foge do caçador pela floresta; na segunda, vive na casa dos sete anões até se engasgar com a maçã envenenada; na terceira, vive no castelo do príncipe unida com ele, "felizes para sempre". É evidente aqui a aplicação do simbolismo do número três aos graus do conhecimento e, por extensão, às três fases da realização na via espiritual.
A essência e o obcjetivo da via espiritual iniciática é a união com Deus. Essa união só é possível porque ser homem é sê-lo à imagem e semelhança de Deus. O mito de Adão e Eva nos ensina que depois da queda, este aspecto essencial do humano tornou-se ineficiente. Por isso, toda e qualquer tentativa de reintegração da forma humana no seu Arquétipo infinito e divino, (a volta ao paraíso), só é possível se antes for regenerada à pureza do estado original humano. Tomado em sua significação espiritual, a transmutação do chumbo em ouro é nada mais nada menos do que a reintegração da natureza humana na sua nobreza original. (3)
De modo análogo ao relato do Gênesis, o conto nos informa que no princípio viviam em harmonia complementar um par de opostos, o Rei e a Rainha-Mãe boa. Com a morte da Rainha-Mãe e após o nascimento de Branca de Neve instaura-se um desequilíbrio, uma espécie de afastamento da unidade, que é representado pela chegada da rainha má. Assim, depois da morte da mãe, Branca de Neve perde sua dignidade de princesa no castelo do pai e se torna uma serva da madrasta má. Na linguagem da história, isso corresponde a uma queda similar àquela descrita pelo Gênesis no mito de Adão e Eva. Agora, filha de um viuvo, Branca de Neve, apesar de ter a marca das três cores, que a qualifica como um ser especial, cai numa função subalterna dentro do mundo profano, marcado pela dualidade, pela dispersão, pelas paixões e dominado pela rainha má. O conto nos mostra que é necessário reunir em si o disperso, reintegrar-se em retiro além da floresta e nas montanhas, para depois se unir ao Espírito, que aqui é sem dúvida figurado pelo Príncipe.
A rainha madrasta descobre que Branca de Neve é a mais bela quando esta última faz sete anos. A rainha má é obcecada com a comparação quantitativa do aspecto estético e, portanto, apenas sensorial da realidade. Ela é incapaz de perceber qualquer beleza interior. A unidade do belo, do bem e da verdade que todas as tradições religiosas e filosóficas proclamam da maneira mais veemente inexiste na rainha má, por causa de uma concentração exagerada da inteligência dela no aspecto mais externo da realidade material.
No íntimo do ser humano, o bem é bonito e o belo é verdadeiro (4). Significativamente, e por compensação, a rainha má manda um caçador matar Branca de Neve e trazer-lhe, exatamente, o coração para que ela o coma. O coração, que no simbolismo astrológico é representado pelo Sol e no alquímico pelo ouro, é considerado, nas mais diversas tradições, a morada do espírito, o centro (anatômico e simbólico) do ser onde habita o divino. No entanto, o coração que a rainha come (ou que ela pode comer) é o de um animal (5), que o caçador compadecido sacrifica no lugar de Branca de Neve. Consciente, daí por diante da enorme ameaça de destruição existente no mundo da rainha, e insatisfeita com ele, a alma qualificada foge correndo pela floresta. Sua vida acaba num mundo e se inicia em outro. Mas, essa iniciação não acontece antes que ela passe por uma provação que se revela, no fundo, uma purificação.
NOTAS:
1. Grimm, Os mais belos contos de fada de Grimm, tradução de Maria Lúcia Pessoa de Barros, Editora Vecchi, Rio de Janeiro, p.p. 27.
2. René Guénon, Aperçus sur l'Initiation, Éditions Traditionnelles, 1953, pp. 265.
3. A Ars Regia, outro nome da alquimia, faz parte dos chamados pequenos mistérios.
4. Vale lembrar aqui que uma das caraterísticas mais marcantes da época atual, assinalada tanto por sociólogos quanto por filósofos, é a perda da unidade dos valores estéticos, éticos-religiosos e cognitivos.
5. Uma corça ou um javali, dependendo da versão da história. É bom lembrar que o javali é um símbolo tradicional da casta sacerdotal e da autoridade espiritual, especialmente no ciclo de histórias da Távola Redonda.
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Quando a carroça faz muito barulho é sinal que vai vazia
Muitos se interrogam sobre a maçonaria e seus mistérios, particularmente quando se está fora desse mundo… Secretismo, ou descrição, têm sido os rótulos que mais se invocam ao longo dos tempos, ficando sempre a pairar em nebuloso horizonte de interrogações uma aura de estranheza que se presta às mais díspares, e infundadas, interpretações…
Os mistérios da maçonaria, rituais, simbologia, são em boa parte uma forma de protecção, pois nem sempre os ideias maçónicos de liberdade, anti-dogmatismo, foram bem acolhidos ao longo dos tempos. Quando as antigas corporações de pedreiros/artesãos/construtores medievais, com suas estritas/restritas regras/regulamentos que protegiam os segredos do ofício, a coberto dos olhares indiscretos de “profanos”, se deixaram impregnar de uma elite pensante que procurava recolhimento de poderes totalitários, incluindo a inquisição, transmutaram-se de corporações operativas/práticas em estruturas especulativas dando origem, no iluminismo do séc. XXVIII à maçonaria…
Os pedreiros (maçons) não são mais agora os trabalhadores/cortadores das pedras para a construção dos templos mas sim livres pensadores, filósofos, que procuram alicerces para o levantamento do templo do conhecimento, portadores da luz/razão que edifica o homem com base nos universais princípios da igualdade, fraternidade e liberdade. Procurando superar as paixões mundanas, visando a purificação dos vícios na busca da virtude, procurando o recolhimento exigido pela profundidade da reflexão, a maçonaria teve desde as suas origens, então, um sentido de superior descrição próprio de quem busca valores mais elevados, acima da turba…
Os tempos não alteraram este sentido das coisas, apenas acentuam, na conturbada vivência da actualidade, a estranheza que a maçonaria parece causar ao preferir o discreto silêncio contra a ebulição exacerbada do ruído das massas. Por isso mesmo faz ainda mais sentido, na protecção de uma certa tradição, que a maçonaria não se desvele/revele como show de “Big Brother”, mostrando que na inconstância dos tempos a modernidade passa pelo respeito e/ou assunção do passado.
Resulta sempre algo bizarramente estranho quando auto-intitulados maçons se dispõem a desvendar “segredos”/mistérios, que nada têm como tal, da arte real (práticas maçónicas). Talvez não sejam verdadeiramente maçons… Ou talvez as suas “lojas” o sejam no sentido literal do termo, não lugares de estudo mas sim bazares de produtos esotéricos de personagens ridiculamente vestidas como talhantes, ou sopeiras, como mostram as fotos da última reportagem do Expresso… Aos incautos que se acautelem… Maçonaria é coisa séria… O hábito não faz o monge, mesmo que o traje seja pago a peso de ouro…
Numa época em que tudo se compre e se vende também há quem comercialize maçonaria fabricando maçons como quem fabrica “fast food”… Mas isto não é mais do que simples ruído de quem leva uma carroça cheia de coisa nenhuma… A maçonaria prima pelo substantivo silêncio, vive no recato de uma vida interior, em comunhão simples com quem se reconhece também como maçom, tendo como dever superior intervir no mundo como os melhores, de entre os melhores, para uma sociedade mais justa e perfeita.
Pobre trabalho jornalístico, inexacto, vendeu gato por lebre… Perderam os leitores…
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A HISTÓRIA E A LENDA DE PRINCE HALL
A maçonaria Prince Hall, ou seja a maçonaria dos negros dos EEUU
Deve-se destacar, na figura de Prince Hall, a parte real, mas menos romântica, resgatada pela moderna pesquisa historiográfica e a lenda, devida, na maioria das vezes, a Grimshaw e que vem sendo alimentada pelo povo maçónico afro-americano. A moderna historiografia estima que Prince Hall nasceu em 1735 em lugar desconhecido. Alguns especulam que teria nascido em Barbados nas Índias Ocidentais, outros que teria sido na África enquanto uma minoria chega a afirmar que o seu local de nascimento seria os Estados Unidos. Documentos analisados mostram que teria exercido várias profissões, tais como: trabalhador braçal, artesão de roupa de couro e fornecedor de alimentos. Outros documentos apresentam-no como líder e eleitor numa pequena comunidade negra em Boston.
A versão tradicional ainda afirma que Prince Hall teria pertencido às fileiras do Exército Revolucionário e lutado na guerra de independência norte-americana. Um ponto controverso tem sido a versão de que Prince Hall tenha sido escravo ou não. Sherman afirma que “tive a fortuna de descobrir, na Biblioteca Athenaeum de Boston, uma cópia do documento de alforria, provando que Prince Hall tinha, originalmente, sido escravo na família de um negociante em roupa de couro de Boston chamado William Hall que o alforriou em 1770”.[3] Certos historiadores afro-americanos rejeitam alguns documentos que tentam demonstrar ter ele sido escravo da família Hall, como se, em sendo isto verdade, teria sido uma desonra para a figura de Prince Hall. Aqui, convém lembrar o dizer da carta de Mahatma Gandhi ao Ir.´. W.E.B. Dubois em 1929: “Não deixem os 12 milhões de negros [norte-americanos] se envergonharem pelo fato de serem descendentes de escravos. N
ão há desonra em ter sido escravo. Há desonra em ter sido proprietário de escravos”.[4] A maçonaria Prince Hall nunca negou iniciação a qualquer ex-escravo desde que preenchesse os requisitos mínimos exigidos pela Ordem. A Grande Loja Unida da Inglaterra, após a abolição da escravidão nas Índias Ocidentais pelo Parlamento Britânico em 1º de Setembro de 1847, mudou a expressão nascido livre para homem livre como requisito para ingresso nas suas lojas. A tradição afirma que Prince Hall teria sido iniciado em 6 de março de 1775. E aqui existe uma controvérsia entre a Loja nº 441 e a Loja Africana , sendo que ambas estariam na gênese da maçonaria Prince Hall, com as implicações do reconhecimento pela Grande Loja Unida da Inglaterra e o problema de haver duas Obediências em um mesmo território.
O historiador Jeremy Belknap afirma que “tendo uma vez mencionado esta pessoa (Prince Hall), tenho a informar que ele foi um grão-mestre de uma loja de maçons livres, composta na sua totalidade de pretos e conhecida pelo nome de ‘Loja Africana’. Isto teria acontecido em 1775, quando esta cidade foi tomada pelas tropas britânicas, possibilitando a montagem de uma loja e ainiciação de um bom número de negros. Após o estabelecimento da paz, enviou-se a Londres um pedido de reconhecimento, obtendo-se uma carta timbrada pelo duque de Cumberland e assinada pelo conde de Effingham”.[5]
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Regularidade e Irregularidade
A Maçonaria Regular a partir do Sec. XVIII
Perguntarão alguns porquê começar o debate por esta época? A resposta é simples e evidente: - Porque antes, o problema não se punha!...
Só a partir de 24 de Junho de 1717, data considerada como oficial para a fundação da chamada "Loja de Londres",embrião da futura Grande Loja Unida de Inglaterra, e da -Maçonaria dita especulativa-, se começa oficialmente a tornar necessário, o reconhecimento oficial entre "irmãos" de "Obediências" diferentes. Até aí, e dentro do espírito da "Maçonaria operativa" bastava aos -maçons- reconhecerem-se entre si através de "palavras, toques e sinais".
O diálogo "- Sois maçon? " Os meus irmãos reconhecem-me como tal" ultrapassava, como acho deverá sempre ultrapassar, a "simples" fórmula ritualista.
Mas simultaneamente aqui começa a perversão do conceito de "regularidade" e a sua interligação com o de "reconhecimento". O Grande Oriente de França, potência hoje considerada irregular, adiante veremos porquê, em pleno Sec.XVIII, afirmava que " era regular todo o maçon que trabalhava numa Loja regular, sendo por sua vez regular toda e qualquer Loja que como tal fosse reconhecida pelo Grande Oriente de França". Mais concretamente " Uma Loja dotada de constituições atribuídas ou renovadas pelo Grande Oriente de França único a poder concedê-las"...(1773, Art.ºs II e III da Constituição).
É já manifesto o equívoco entre regularidade e reconhecimento por um lado e por outro a falta de distinção entre a regularidade formal e o "trabalhar regularmente". Trata-se de um equívoco histórico que tem sido alimentado, por razões distintas por várias Obediências, regulares e não regulares.
A verdade é que, quer queiramos quer não, tudo começa precisamente nas "Constituições ditas de Anderson" que marcam o início da transformação de uma Maçonaria profundamente teísta numa Maçonaria deísta. Por razões religiosas e sobretudo políticas.
Precisamente razões que as referidas Constituições impõem banir das discussões em Loja! Na realidade o que se pretendia era neutralizar a influência e supremacia dos Católicos stuartistas e é este tipo de comportamento que inicia outro grande equívoco histórico, o das condenações por parte da Igreja de Roma.
A partir daqui começa-se a impor o conceito "anglófilo" de que são regulares os maçons que pertencem a uma Loja regular a qual deve trabalhar à Glória de um "Ser Supremo", o Grande Arquitecto do Universo", Deus, Princípio Único e Criador de todas as coisa, obedecendo portanto ao expresso nas "Constituições de Anderson", e aqui pode-se perguntar quais delas, se as de 1723, a que se reporta o G.O.D.F., o qual se inicia tecnicamente em 1738 e nasce politicamente em 1773 ou se as de 1737 a que se reporta a Grande Loja Unida de Inglaterra que só é constituída em...1813 e, hoje em dia, se refere também aos "Landmarks" de... 1929...
Aparentemente levanta-se neste último raciocínio o problema de o Grande Oriente de França, figura de proa da dita "irregularidade" ser, afinal, historicamente anterior à Grande Loja Unida de Inglaterra, maioritariamente senhora da chamada "regularidade maçónica"... e daí ser discutível qual das duas -Potências- detém a legitimidade de atribuir regularidade e irregularidades.
Este ponto de vista, que é defendido pelo G.O.D.F. e "Potências" afins é, na minha opinião, não pertinente e pela simples razão de que carece da pré-definição do que se entende por regularidade tradicional. Com efeito o comportamento histórico do G.O.D.F. durante o Sec. XIX a partir de 1849, e mais concretamente em 1877 em que se torna facultativo a evocação ao G.A.D.U., o trabalhar com a presença do Livro Sagrado etc., é esse comportamento que se desvia do que estava anteriormente aceite e definido e que justifica o estigma de irregularidade que lhe é atribuído pela U.G.L.E.
Se por um lado, e no seguimento das ideias herdadas da Revolução Francesa, se poderá entender o alargamento do ideal maçónico a todo o tipo de homens, religiosos ou não, ou seja adeptos de qualquer religião, ateus e agnósticos, em nome da fraternidade e da tolerância, por outro entra-se na imposição do "laicismo" que vai acarretar por sua vez um "anti-clericalismo" com os excessos que se conhecem e que entram pelo próprio Sec. XX. .O que, precisamente, contraria esse mesmo ideal de tolerância!
As "Potências" que se alinham com o G.O.D.F. insistem em defender que a regularidade é um falso problema que apenas serve os interesses anglo-saxónicos e em particular os da Grande Loja Unida de Inglaterra. Este ponto de vista é, por sua vez, acompanhado frequentemente de afirmações mais ou menos veladas de "vassalagem" das Obediências regulares à U.G.L.E.
Por sua vez as "Potências" regulares acusam as "irregulares" de "vassalagem" ao Grande Oriente de França e encaram-nas, frequentemente, com uma certa suspeição eivada de fantasmas dos séculos passados.
Sabemos também que a "regularidade" não reconhece legitimidade nem às Lojas Femininas nem às Mistas, bem como, na maior parte dos casos, a certos ritos muito em voga na Maçonaria Sul-Americana. Não vamos aqui discutir estes pontos para não nos afastarmos do fundamental.
Trata-se de um diálogo de surdos que, apesar de tudo, vai sofrendo evoluções. Por um lado começam a existir casos em que a U.G.L.E. admite mais do que uma Loja Regular por país. Por outro o conceito de "Ser Supremo", o "Supreme Beeing", começa a ficar cada vez mais diluído. Por outro, Obediências existem que trabalhando regularmente não são reconhecidas como tal...Afinal em que ficamos?
Tentemos então destrinçar o problema separando e definindo conceitos o que talvez nos obrigue a reequaciona-lo por completo.
LOJAS REGULARES E TRABALHO REGULAR
Pressupondo que "trabalhar regularmente é trabalhar na presença do Livro da Lei Sagrada, respeitando as Constituições e Landmarks e , sobretudo, crendo e evocando o Grande Arquitecto do Universo, Deus, Criador de todas as coisas e acreditando na Imortalidade da alma," Lojas há que, apesar disso não são reconhecidas como regulares.
Gostaria de colocar três questões que não deverão ser entendidas no âmbito nacional mas universal.
O problema que se põe ao "Maçom Regular" será "devo considerar os maçons que delas fazem parte como meus "Irmãos""??
Por outro lado maçons de Lojas "irregulares", trabalhando "irregularmente" deverão ser considerados "maçons" ?
E, finalmente, que dizer de "Irmãos" que dentro de uma Obediência pressuposta Regular não trabalham regularmente?...Serão "Irmãos"?
São três perguntas propositadamente provocatórias que coloco à Vossa consideração.
Salvo melhor e douta opinião é meu entendimento que a resposta comum a todas estas questões é só uma: -" Sim, só e se eu os reconhecer como tal".
Porquê? Porque é a resposta que desloca para dentro de cada um de nós oincómodo da pergunta. Tudo depende, afinal, do que se absorveu do ideal maçónico e das razões que nos levam a integrar a Ordem.
É evidente que a Maçonaria moderna obriga irremediavelmente a regras de convivência e reconhecimentos diplomáticos mútuos que terão de ser respeitados. Com certeza. Mas neste ponto, como noutros, o que interessa, é saber do que se está a falar concretamente.
E sem nos esquecermos que ao integrar Instituições livremente, que possuem determinadas Constituições e Regulamentos, teremos fatalmente que cumpri-los sob pena de uma promiscuidade perversa conduzir a uma anarquia prejudicial!
E se rejeitamos esse cumprimento apenas nos resta abandonar de facto essas Instituições. O facto de não haver visitas rituais entre Irmãos de Obediências regulares e irregulares não os impede de nutrir entre si uma fraterna amizade e uma sã convivência baseada na tolerância e igualdade.
Não há dúvida de que a - Maçonaria - fatalmente evoluiu e evolui todos os dias e que a Maçonaria de hoje não é exactamente a mesma de a de há trezentos anos!
Adivinho que alguns de Vós já estarão a dizer para com os seus botões "Pronto, olha que maneira airosa de concluir e ficar bem com todos"... Desculpem se os vou surpreender e talvez mesmo chocar... Ainda não terminei.
É verdade que conclui as minhas considerações. Mas apenas na área do ideal maçónico e das linhas mestras da acção exotérica da Maçonaria no mundo. E aí aplica-se tudo o que foi dito antes. Porém, se entrarmos pelo lado esotérico e pela Tradição Iniciática as coisas complicam-se muitíssimo, a meu ver. Pessoalmente aí já se torna racionalmente incompreensível admitir a incursão de um ateu puro na esfera do sagrado, por exemplo. Aí teremos, no meu entender, de rever não o nosso conceito actual de Regularidade mas o nosso conceitoactual de... Maçonaria!
E se formos demasiado exigentes, e entendermos que a Maçonaria deTradição, que nos foi transmitida desde os mais remotos tempos até 1717 éque era a verdadeira Maçonaria, então seremos forçados a admitir que é perfeitamente estéril discutir a Regularidade quando aquilo que nalguns casos se pratica muito pouco tem a ver com o que nos deveria ter sido transmitido.
Poderemos então até perguntar se essa Maçonaria ainda existe e sob que forma, em que Rito ou Regime.
E aí eu responderia quase pela negativa, embora onde ela exista numa forma mais próxima da Maçonaria de Tradição seja precisamente dentro de alguma Maçonaria Regular.
De qualquer modo o mais importante será, independentemente do que recebemos e praticamos, conseguirmos um dia deixar este mundo melhor do que o encontrámos e poder responder à pergunta - "Eras Maçon?" - Pelas palavras "Todos os meus Irmãos me consideravam como tal"! Publicado por El Indoamericano
