quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sois Maçon?

Afinal eu entrei na MAÇONARIA.

Que questionamento infantil!

Então surge alguém, se dizendo “um eterno aprendiz” e pergunta.

Ousa me perguntar!

E inicia com a minha resposta, ou melhor, parte dela.

Afinal eu entrei na MAÇONARIA!

Mas a MAÇONARIA entrou em você meu irmão?


Prancha recebida de um Irmão leitor do Brasil, clicar aqui para ler

domingo, 27 de julho de 2008

Teurgia, A Arte Sagrada dos Adeptos.

Trecho do livro"Theurgy, the Sacred Art of the Adepts"
de Demetrius Polychronis (c) 2001
editora Pyrino Kosmos
Traduzido por Geórgia Nuño Racca


O Termo “Teurgia” é derivado da linguagem grega.

THEOU ERGON = THEURGIA

Literalmente significa “O Trabalho de Deus”.

O que é Teurgia? Em um primeiro contato, pode-se dizer que não é nada mais do que Oração – Uma Oração que encontra algumas condições íntimas e é expresso por um ritual simples. Os objetivos são:

• Aliviar o sofrimento e;
• Ressuscitar a humanidade no Amor de Deus e na sua Sabedoria.

A . Expressão da Espiritualidade Humana.

“Espiritualidade” pode ser definida como “a relação do homem com Deus”. E, então, não havendo nenhuma ligação entre “intelectualidade”, “conhecimento” ou “educação”.

As expressões da espiritualidade humana podem ser resumidas em:

A. Exotérica
1. Religião, devoção exotérica.

B.Esotérico
1. Esoterismo religioso ( Monástico)
2. Esoterismo Filosófico (educação, ensinamento)
3. Esoterismo Sacramental (Teurgia)

Fonte:Clicar aqui para ler o resto

Em Busca do Templo Interior

Referência 1

«Advirto-te, sejas quem fores...
Tu! Que desejas sondar os arcanos da Natureza, se não encontras dentro de ti aquilo que procuras... Tampouco o poderás encontrar fora.

Se ignoras as excelências da tua própria casa, como poderás encontrar outras excelências?

Em ti se encontra oculto o tesouro dos tesouros!

Homem!... Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.»

Tales de Mileto

Inscrição no Templo de Delfos, que a maioria dos historiadores não querem admitir ser de Tales de Mileto!


Referência 2

Evangelho S. João, Cap. 2
Então os judeus lhe perguntaram: "Que sinal miraculoso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso?"
19
Jesus lhes respondeu: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias".
20
Os judeus responderam: "Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias?"
21
Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo.

Referência 3

O Buda disse: "Digo-vos que dentro do corpo... podeis encontrar o mundo, e a origem do mundo, e o fim do mundo, e a senda... para todos os propósitos.

A maçonaria congrega em si a sabedoria/ensinamentos de todos os tempos, a busca por uma existência superior, que se oferece a todos mas de percurso naturalmente de sacrifício (Sacro-ofício)... A construção do templo interior, vencendo paixões e buscando virtudes... Com humildade e sentido fraterno... Assim se fortalece/perpetua a ordem.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maçonaria Feminina

Adesão à Maçonaria feminina aumenta

Desde sempre envolvida em mistério, a maçonaria continua a ser entendida como um poderoso lobby. Maria Belo, grã-mestra da Grande Loja Feminina de Portugal e co-fundadora da primeira loja feminina portuguesa, garante que não. Às maçonas, que poderão ou não estar envolvidas na vida política, disse ao SEMANÁRIO, interessa, sobretudo, o debate de temas filosóficos e sociais.

Desde sempre envolvida em mistério, a maçonaria continua a ser entendida como um poderoso lobby. Maria Belo, grã-mestra da Grande Loja Feminina de Portugal e co-fundadora da primeira loja feminina portuguesa, garante que não. Às maçonas, que poderão ou não estar envolvidas na vida política, disse ao SEMANÁRIO, interessa, sobretudo, o debate de temas filosóficos e sociais. O que acontece é que as discussões "transpiram" para a sociedade através das actividades e do círculo de amizades que "as irmãs" mantêm. A ex-europdeputada socialista está satisfeita com a crescente adesão à maçonaria feminina: desde 2001, já há mais quatro lojas e o número de adeptas portuguesas passou de 150 para 250.


Lisboa foi a cidade escolhida para receber a assembleia-geral do Comité Internacional de Ligação das Maçonarias Femininas. Amanhã as grã-mestras de Portugal— a ex-eurodeputada socialista Maria Belo—, de França, Bélgica, Itália, Alemanha e Suíça reúnem-se para definir o plano de actividades para este ano. A ocasião será aproveitada para trocar ideias e definir actividades para este ano. Mas será também uma oportunidade de desmistificação dos preconceitos que ainda envolvem a maçonaria. Deste modo, depois da assembleia, realiza-se no Palácio da Trindade um jantar aberto a não maçons e aos representantes da maçonaria masculina: António Arnaut (Grande Oriente Lusitano), Trovão do Rosário (grande Loja Regular de Portugal) e Jorge Gomes (Direito Humano).
Ao SEMANÁRIO, a psicanalista e ex-eurodeputada socialista, explicou de que se trata a reunião internacional. "Vai ser um agrupamento de diferentes obediências que serve para a troca de informações acerca da forma como decorrem trabalhos nos distintos países. Queremos também apoiar as maçonarias que estão agora a começar, sobretudo nos países em desenvolvimento", avançou. Bem como "preparar o colóquio da sociedade em 2006 que ocorrerá em Portugal. Eleita grã-mestre da Grande Loja Feminina de Portugal (GLFP) no ano passado, Maria Belo considera que o relevo da organização que encabeça se relaciona com a falta de espaços de discussão para as mulheres.
"Ao contrário do que acontece noutros países, em Portugal não existe uma grande tradição em movimentos e organizações e organizações femininas". A GLFP é "um espaço onde é possível às mulheres aprofundar a forma de estar no mundo, com regularidade". Apesar das preocupações que manifestam serem em tudo semelhante às dos homens maçons, nas reuniões femininas está presente a "tentativa de perceber o que é ser uma cidadã. De que forma uma mulher se integra na sociedade, não só nas instituições políticas, mas principalmente ao nível da Família e de outras instituições sociais", revela. "Apesar das condições que as mulheres têm, actualmente, para lutar pela sua igualdade, é necessário que haja uma reflexão sobre as formas de aprofundar a democracia". Uma forma de intervir, não directamente enquanto membros da maçonaria, mas nas actividades profissionais ou ideológicas que desempenham.
Nas reuniões não há temas tabus, mas "evita-se a religião e política". "O que nos preocupa não são as questões do quotidiano político mas das grandes questões". Um exemplo: não há uma posição oficial (até porque as maçonas são originárias de diversos quadrantes políticos) acerca da liberação do sistema de Saúde, "o que discutimos é o que se espera do Estado e da sociedade relativamente à saúde, procuramos também identificar os problemas mais importantes".
Quanto à adesão das mulheres portuguesas, Maria Belo está satisfeita. "Há um interesse crescente nas actividades maçónicas"espelhado no aumento de lojas e de membros.

Fonte: Clicar aqui.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sabedoria Universal

Como tem sobrevivido a maçonaria, resistido a tanto ataque e maledicência? Com atenção, qualquer aprendiz compreende esse facto pelas básicas regras de bom senso que desde o início do seu percurso os mestres (aprendizes mais velhos) tentam incutir/fazer passar. Um dos tais princípios/regras é quando à sabedoria com que se deve usar a linguagem e que se materializa na história seguinte:

Um dia um homem aproxima-se de Sócrates e diz-lhe,

- Sócrates, sabes o que acabei de ouvir acerca de um dos teus alunos?
- Espera um momento. - Disse Sócrates- Antes de continuares, quero fazer-te um teste, chama-se o Teste das 3 Peneiras.
- Teste das 3 Peneiras?!
- Sim. - Continuou Sócrates- Antes de me dizeres seja o que for acerca do meu aluno, vamos peneirar aquilo que me queres dizer. A 1ª Peneira é a verdade. Tens a certeza absoluta que o que me vais dizer é Verdade?
- Não... eu só ouvi...
- Tudo bem. - Disse Sócrates- Então não sabes se realmente é Verdade ou não. Vamos tentar a 2ª Peneira. A Peneira da Bondade. Aquilo que me vais dizer acerca do meu aluno é algo Bom?
- Nem por isso...
Então Sócrates continuou.- Queres dizer-me algo mau acerca dele mesmo sem saberes com certeza se é verdade?
O amigo ficou embaraçado. Sócrates continuou...
- Ainda tens a hipótese de passar o teste porque existe uma 3ª Peneira, a Peneira da Utilidade. O que pretendes dizer acerca do meu aluno vai ser-me muito útil?
- Acho que não.
- Bem... - Concluiu Sócrates - Se o que me queres dizer não é Verdade, nem Bom, nem Útil para mim porque mo queres dizer?!
O amigo ficou envergonhado!

Fonte: Clicar aqui

A aprendizagem maçónica manifesta-se na preocupação com as coisas relevantes do mundo e com a sobriedade, honestidade, humildade, lealdade, que deve caracterizar a conduta de um maçom. Por isso mesmo se pode concluir que não é a porta da maçonaria demasiado estreita mas sim a soberba humana por vezes demasiado larga.

David

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ser irmão...

Se aceitarmos que a sublime grandeza que caracteriza a criação artística reside no facto de não só evocar/manifestar o universo do criador mas, e não menos, fazer despertar/libertar no apreciador uma infinita combinatória interpretativa, que em si mesma também é acto de criação, então que se me permita lembrar algumas palavras do maçom Fernando Pessoa (Irmão Hiram) que a seguir livremente interpretarei:

Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta


Quando observo, como maçom, a caminhada dos meus irmãos mais novos/recentes, ou constato o eventual interesse de tanta gente pelos trabalhos que se oferecem a um maçom realizar, não posso deixar de invocar as palavras do mestre Fernando Pessoa pois nestas vejo, e cá está o direito à minha perspectiva hermenêutica, uma das pedras basilares que o progresso maçónico exige a cada um dos membros da Irmandade... Entre si, desenvolver um profundo espírito de entre-ajuda... Não esperar que um irmão bata à nossa porta para que lhe estendamos a mão e lhe prestemos o nosso mais profundo dever de solidariedade, como faríamos ao nosso ente mais querido... Mas tal altruísmo deve também estender-se fraternalmente a toda a comunidade.

Quando se pergunta "como entrar para a maçonaria?" resulta imperativo, direi eu então, reflectir/questionar em primeiro lugar, da nossa disposição de querer ver no outro que me cerca alguém a quem não me importaria de chamar irmão.

Assim se compreende como a tantos atraem os mistérios da maçonaria, mas como em poucos se acha a necessária força espiritual de incorporar os seus simbólicos mistérios... Os mistérios da Arte Real...

David

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fidelidade e Maçonaria


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(Link original clicar aqui)


1. INTRODUÇÃO: O presente artigo tem por objectivo principal discorrer sobre o significado da palavra fidelidade, observando tanto a conotação que lhe é emprestada no mundo profano quanto no mundo maçónico.
Para sermos rigorosos em nosso objectivo, em primeiro lugar recorremos aos léxicos e, posteriormente enveredamos pelos caminhos da filosofia até chegarmos ao conceito maçónico de fidelidade.

Evidentemente, face à natureza do trabalho, como também à exiguidade temporal, a pesquisa não chegou à exaustão.
Consequentemente cumpre-nos destacar que ao longo deste artigo tangenciaremos, por um lado, o significado da fidelidade no nosso quotidiano e, por outro lado, através destas observações procuraremos mergulhar no âmbito da filosofia para alcançarmos o nosso objectivo maior - a fidelidade, enquanto valor maçónico e princípio determinante da busca da felicidade - sem perder de vista que qualquer conceito é plástico e moldável ao longo do tempo.

Ou seja, o conceito insere-se em um processo dinâmico de observação da realidade concreta que tem como pressuposto básico o facto de que a variável temporal transcende uma simples coordenada para ser entendida como interioridade com três componentes: sucessão, simultaneidade e permanência.

2. FIDELIDADE: da abordagem quotidiana ao valor maçónico

Sob o aspecto da língua vernácula, nada mais prudente do que consultar os léxicos, para entendermos a origem e o significado de um vocábulo.
Neste sentido, buscamos em Houaiss (2001, p.1337), o significado e a etimologia da palavra fidelidade e lá encontramos:
Fidelidade - s.f - característica, atributo do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito quase venerável por alguém ou algo;

1.1 observância da fé jurada ou devida;
2 constância nos compromissos assumidos com outrem;
3 Constância de hábitos, de atitudes( fidelização de clientes).

De outra forma, sob a óptica da Filosofia, esta para nós, se constituindo no mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes, sem dúvida, podemos enveredar pelos caminhos da ética para o entendimento mais preciso do significado da fidelidade.
A ética ancora-se em dois conceitos fundamentais: o senso moral e a consciência moral.
O senso moral representa nossos sentimentos e nossas ações e, porque não dizer, a forma como nós humanos interagimos com os nossos semelhantes e construímos conhecimento e formatamos hábitos e costumes.

Este conceito - de senso moral - traz de forma subjacente a ideia de costumes tradicionais, aceites e legitimados por uma sociedade, a forma como seus membros devem se portar e quais suas obrigações para com esta sociedade.

A consciência moral, por seu turno, nos remete ao pensar e a tomada de decisão. Em outras palavras, a consciência moral pode ser muito bem representada pelo seguinte exemplo: ao termos que definir, de pronto, sobre o que fazer em determinada situação em que somos instados a tomar uma decisão, inicialmente, temos de justificar esta decisão para nós mesmos e posteriormente para os outros.
Evidentemente, quando falamos de justificativa de uma decisão, referimo-nos às razões de nossa decisão, como também ao fato implícito de termos de assumir as consequências dela decorrentes.
Portanto, na esteira destas considerações de ordem ética, a fidelidade assume a condição de valor moral e consequentemente, não mais pode ser observada sem um pressuposto básico - a relação entre seres humanos, como também, de forma mais abrangente, entre a natureza orgânica e inorgânica - de modo que haja uma condição de cumplicidade e envolvimento entre partes que interagem e/ou mantém certo vínculo.

A fidelidade, portanto, vista sob a óptica da filosofia representa uma inter-relação entre o homem, enquanto representante da sociedade e a natureza, tanto a natureza orgânica quanto a natureza inorgânica.

Caminhando ao encontro destas considerações podemos inferir que a fidelidade além de ser um valor moral é também um valor social e, representa na sua prática quotidiana, um processo de catarse que, faz o homem passar do estado egoístico - passional para o estado ético - político.
Por outro lado, se nos reportamos ao significado da fidelidade no âmbito da ordem maçónica, sem dúvida, podemos aquilatar que, este, transcende tanto ao conceito da língua vernácula quanto ao conceito da filosofia.

Somente para fixar ideias, observemos algumas passagens do processo histórico de iniciação de um profano:

  • Ao ser iniciado na ordem, o neófito, assume um compromisso voluntário e moral de praticar a fidelidade em sua essência, enquanto ser humano, isto é, no conjunto das suas relações sociais;
  • Esta fidelidade do neófito se ancora na sua liberdade de expressão e acção, sem, contudo perder a ideia de limite;
  • A forma como ele é recebido - o ritual de iniciação - o conduz de forma metafórica através do processo histórico de evolução do homem e sua interacção com a natureza. Ou seja, o ritual de passagem - a iniciação - representa de forma sublime o vínculo entre partes, de um lado o mundo profano - a natureza(água, fogo, ar, animais, plantas, astros, pedras, metais, terra, humanos) - e de outro lado o mundo maçónico - as singularidades da ordem maçónica, seus segredos, suas alegorias, sua simbologia e a sua prática ritualística.

Observando as colocações acima elencadas, e sobre elas fazendo uma reflexão, podemos compreender que no âmbito maçónico, o homem, enquanto ser gregário se predispõe de forma transcendente a viver o estado da arte da sociedade, ou seja, buscar a perfeição e o convívio pleno com seus semelhantes.

Esta convivência com seus semelhantes, todos diferentes, mas não desiguais, obriga o homem a pensar e construir o seu espaço na medida em que através destas trocas de informações constrói valores éticos e morais.

E, nesta dinâmica de interacções, nós maçons, observamos de forma muito transparente e, porque não dizer, sem nenhuma opacidade, a prática e a consolidação do objectivo mais profundo e sublime da maçonaria - fazer feliz a humanidade.

Esta felicidade traz consigo de forma latente a fidelidade, ou seja, um processo de construção de valores éticos e morais que dá sustentação ao compromisso voluntário que o neófito assume com a maçonaria. Igualmente, este processo possibilita a construção e consolidação de novos hábitos e costumes que nos fazem enxergar nossos semelhantes como diferentes e não como desiguais.

Ou de outra forma, a busca da perfeição e o convívio pleno e harmónico com nossos semelhantes tanto no âmbito maçónico quanto no mundo profano é o que admitimos como a verdadeira Fidelidade.
Em síntese, o que distingue a fidelidade, enquanto valor maçónico, da fidelidade praticada no mundo profano é, no nosso entendimento, a voluntariedade.

E, para enriquecer este trabalho, gostaríamos de deixar gravado o entendimento do ilústre filósofo francês Gilles Deleuze(1925 - 1995) que ao ser instado a discorrer sobre o que é a Filosofia, assim se expressou:
" Muita gente pensa que a filosofia é uma coisa muito abstracta e para especialista. Eu creio e vivo de tal forma a ideia de que a filosofia não é uma especialidade que tento colocar o problema de outra forma. Quando se crê que a filosofia é abstracta, a história da filosofia fica também abstracta.......Um filósofo não é alguém que contempla nem mesmo alguém que reflecte: é alguém que cria. Cria um género de coisas de facto especiais: cria conceitos. O conceito não está pronto, não passeia pelo céu, não o contemplamos. É preciso cria-lo, fabricá-lo".

Este entendimento da filosofia consubstancia a ideia da criação de conceitos e, evidentemente, da criação do conceito de fidelidade, particularmente na ordem maçónica.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ordem maçónica, enquanto uma sociedade iniciática, cria e legitima conceitos que lhes dão sustentação tanto para a sua prática operacional - as lojas simbólicas - quanto para a reflexão em seus templos voltados para a prática da filosofia - as lojas de perfeição.

De outra forma, observando este facto - a criação e legitimação de conceitos pela ordem maçónica - sob a óptica da dialéctica e, levando-se em consideração o aspecto temporal podemos inferir que a mudança e a permanência, enquanto categorias reflexivas - uma não pode ser pensada sem a outra - representam talvez um pressuposto óbvio da vitalidade e longevidade dos cânones da maçonaria.

Em outras palavras, não podemos ter uma visão correta de nenhum aspecto da realidade humana se não soubermos situá-lo dentro do processo geral de transformação a que ele pertence, também não podemos avaliar nenhuma mudança concreta se não a reconhecermos como mudança de um ser (quer dizer, de uma realidade articulada e provida de certa capacidade de durar).

Neste sentido, sem nenhuma ambiguidade e explicitando o que apreendemos ao longo da nossa prática maçónica, podemos afirmar que: ao pensar o todo - a busca da felicidade da sociedade - a maçonaria não nega as partes, ou seja, não abstrai estas - as partes do todo - como também ao tratar as partes com suas diferenças o faz no seio da sociedade.
Ou seja, trabalhar a pedra bruta é uma metáfora que representa o trabalho das partes ao passo que a prática da liberdade, da igualdade e da fraternidade representa o tratamento do todo.

E, para finalizar, podemos inferir que a argamassa responsável pela consolidação e estabilidade da alvenaria maçónica tem um componente singular - a fidelidade -, que nada mais é do que uma construção colectiva do conhecimento.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 12ed. São Paulo: Editora Ática, 2001.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? São Paulo: Editora 34, 1997.
HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.
KONDER, Leandro. O que é a dialética. São Paulo: Editora Brasiliense, 1998.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Número de maçons liberais duplicou na última década

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Sábado, 19 de Maio de 2007

O número de maçons está a crescer em Portugal?

Está a crescer muito sustentadamente. Pode dizer-se que nos últimos dez anos duplicou o número de membros do Grande Oriente Lusitano (GOL), a obediência liberal (admite membros ateus e agnósticos) que
está a crescer mais, que já era a maior e mais antiga, e continua a crescer, num ritmo que anda à volta de 5% ao ano.

Quantos membros tem o Grande Oriente Lusitano?

Entre mil e dois mil. Há maçons regulares que estão a regressar ao GOL. Tem sido um movimento contínuo e regular nos últimos anos, é verdade.

É por convite que se entra na Maçonaria?

Em regra geral, sim, mas não obrigatoriamente. Quem não tenha contactos e conhecimentos dentro do GOL pode na mesma apresentar a sua candidatura, que será alvo do mesmo nível de escrutínio de qualquer outra candidatura, mesmo que venha de membro do GOL.

De que consta esse escrutínio?

São os valores do candidato em relação aos motivos que o levam a pretender entrar na Maçonaria. É inquirido sobre o seu passado, tem de ser bem escrutinado, somos muito selectivos. Queremos crescer, mas em qualidade.

Há candidatos jovens?

Cada vez mais, nos últimos anos isso é visível.

Há explicação para esse facto?

Nos últimos dez anos aquela sedução para grandes ideologias, que tudo pretendiam explicar desde o origem do mundo até ao fim da história, tem vindo a desaparecer. Portanto, a Maçonaria vem preencher um certo vazio espiritual, um certo vazio de valores e de concepções do mundo que se foi criando na última década.

Que sectores da sociedade procura a Maçonaria?

Profissionais liberais e universitários. Mas não exclusivamente, nem queremos colocar barreiras de carácter social ou cultural.

A Maçonaria é uma sociedade elitista?

Sim, no bom sentido da palavra. Não no sentido de aristocracia orgulhosa e arrogante, mas no sentido de uma elite de carácter moral e cívico. Isso sem dúvida.

Faz algum sentido uma sociedade secreta, ou se se quiser discreta, em plena democracia?

Mesmo em democracia, particularmente aqui em Portugal, a condição de maçon pode originar perseguições, incompreensões e prejuízos da vida profissional.

Ainda hoje?

Ainda hoje, infelizmente. Vivemos décadas de ditadura, a própria Igreja Católica durante séculos acabou por criar na sociedade uma imagem da Maçonaria completamente deformada, como se fosse uma seita apostada na conquista do poder por meios ilícitos, de uma seita que pretendia simplesmente destruir as religiões, o que não é verdade. Fazemos questão em ter crentes de diferentes religiões, para além de ateus e agnósticos.