segunda-feira, 9 de junho de 2008

Conversas Maçónicas

A 6 de Março de 2005, seis dias an­tes de o novo Governo socialista tomar posse, Abel Pinheiro, o ho­mem das finanças do CDS-PP, pe­gou no telemóvel e ligou ao social-democrata Rui Gomes da Silva, o ''maçom adormecido" que acabara de deixar o cargo de ministro dos Assuntos Parlamentares. Em plena investigação do processo Portucale (um caso de alegado tráfico de influências para a aprovação de um projecto imobiliário do Gru­po Espírito Santo), a conversa passou pela maçonaria e pelo seu poder.

Abel Pinheiro e Gomes da Silva concordavam que os maçons estavam sob fogo cerrado de José Sócrates. O futuro primeiro-ministro era acusado de afrontar a irmandade do Grande Oriente Lu­sitano (GOL) ao não escolher nenhum maçom para o Governo. Abel Pinheiro e Rui Gomes da Silva defendiam que as nomeações para ministro teriam de respeitar uma espécie de quota maçónica e estavam indignados por Só­crates não seguir o jogo de bastidores, afas­tando a maçonaria (e também a Opus Dei) dos lugares de decisão política.

Também diziam que a ausência de apoio maçónico iria deixar vulnerável o futuro Governo. (ler restante artigo da revista Sábado)

Constituções de Anderson

A ordem maçónica, enquanto obediência, pressupõe uma conduta muito consciente dos deveres de actuação direccionada para o bem/virtude, o que para um homem livre e de bons costumes tal só pode constituir uma força de motivação para a sua progressão espiritual/pessoal.

Devem, por isso, conhecer-se as “Old Charges” e/ou os “Landmarks”, pedras basilares do conhecimento maçónico e de suas ancestrais tradições… As “antigas regras" são documentos (referentes à maçonaria operativa, mostrando já a existência de uma maçonaria organizada em que os pedreiros –fremasons- utilizavam uns pergaminhos onde as/nas “Old Charges” (regras antigas anteriores a 1717, à formação Grande da Loja de Inglaterra) faziam referência às Lojas
/Oficinas e aos Regulamentos, Deveres, Segredos e Usos da Fraternidade.

Por estes documentos observamos não só as regras como também um pouco da história da maçonaria) que vieram ao conhecimento público a partir do Séc. XIV. Estes regulamentos são os landmarks/base deles que prescrevem as normas da ordem, os deveres, a jurisprudência maçónica.

George Payne, primeiro Grão-Mestre, da Grande Loja, sonhava com uma Maçonaria Moderna cuja preocupação era dotar o novo organismo, de um corpo de leis que pudessem regulamentar sua vida.

Em 1720, compilou os Regulamentos Gerais, baseados nesses antigos documentos, dando à Ordem, a forma de um governo maçónico. Em seguida, encarregou o Rev. James Anderson para comparar as Ordenações Gerais promulgadas pela Grande Loja, com os antigos documentos e costumes primitivos da confraria, dando a sua expressão definitiva.

Em Dezembro de 1721, seu trabalho é examinado e revisto por uma comissão que, em Março de 1722, apresenta seu relatório conclusivo aos delegados das Oficinas para o encaminhamento, preparação e aprovação em assembleia, ocorrida em 17 de Janeiro de 1723.

Este documento, conhecido como “Constituições de Anderson”, representa a carta fundamental e a única base legal autêntica da Maçonaria. A partir da metade do século XIX, são diversas as classificações de landmarks, com maior ou menor número deles, devendo assinalar-se a obra de Albert Mackey que em 1858 assim os
classifica:

1. Os processos de reconhecimento.

2. A divisão da Maçonaria Simbólica em três graus.

3. A lenda do 3º. Grau.

4. O governo da Fraternidade por um Grão-Mestre eleito por todos os maçons.

5. A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir a todas reuniões maçônicas no território de sua jurisdição.

6. A faculdade do Grão-Mestre de autorizar dispensa para conferir graus em tempos anormais.

7. A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para fundação, instalação e funcionamento das Lojas.

8. A prerrogativa do Grão-Mestre de criar maçons ( iniciar e exaltar) por sua deliberação.

9. A necessidade dos maçons de se distribuírem em Lojas.

10. O governo de cada Loja por um Venerável e dois Vigilantes.

11. A necessidade de que toda Loja trabalhe “a coberto”.

12. O direito de todo mestre maçom de ser representado nas assembléias gerais da Ordem e de dar instruções aos seus representantes.

13. O direito de todo o maçom recorrer em alçada perante a Grande Loja ou a Assembleia Geral contra as resoluções de sua Loja.

14. O direito de todo maçom de visitar e de ter assento nas Lojas regulares.

15. Nenhum visitante, desconhecido como um maçom, poderá entrar em Loja, sem primeiro passar por um exame, conforme os antigos costumes.

16. Que nenhuma Loja poderá interferir nas actividades de outra.

17. Que todo maçom está sujeito às leis penais e regulamentos maçônicos vigentes na jurisdição em que reside.

18. Que todo candidato à iniciação há de ser homem livre e de maior idade.

19. Que todo maçom há de crer na existência de Deus como Grande Arquitecto do Universo.

20. Que todo maçom há de crer na ressurreição e uma vida futura.

21. Que um livro da lei de Deus deve constituir parte indispensável do equipamento de uma Loja.

22. Que todos os homens são iguais perante Deus e que na Loja se encontram num mesmo nível.

23. Que a Maçonaria é uma Instituição de posse de segredos que devem ser preservados.

24. A fundação de uma ciência especulativa, baseada numa arte operativa.

25. Que os Landmarks da Maçonaria são inalteráveis.

Cosnstituições de Anderson

Lenda do terceiro grau


Loja Fénix, Oriente de Lisboa

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Eleições no GOL...

O lugar do próximo Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) ­ a obediência maçónica mais antiga de Portugal ­, poderá vir a ser ocupado por um maçon natural de Vila Franca da Beira, concelho de Oliveira do Hospital. Trata-se de Filipe Frade, um militar na reserva, que no próximo dia 7 de Junho vai disputar as eleições do GOL com o actual grão-mestre, António Reis, que se recandidata ao lugar.

Natural de Vila Franca, localidade onde habitualmente reside, Frade ­ um alto-grau da maçonaria ­ passou grande parte da sua vida na Bélgica e tem fortes ligações ao Grande Oriente Belga, onde foi iniciado.

A maçonaria está instalada em Portugal desde o século XVIII e em 1738 foi considerada pela igreja católica como uma³ heresia perversa². O General Gomes Freire de Andrade, que chegou a alcançar o título de 3º Conde da Bobadela, foi grão-mestre do GOL e, em 1817, foi enforcado sob a acusação de³ conjura liberal².

No período do Estado Novo, a maçonaria portuguesa foi sempre alvo de várias perseguições e é após o 25 de Abril que aquela obediência é reabilitada.

Em Oliveira do Hospital, existem hoje vários maçons e a maior parte deles reúne numa loja do GOL, localizada em Coja, concelho de Arganil. Entre os seus principais impulsionadores, encontrava-se o histórico socialista, entretanto falecido, Fernando Valle.

Na cidade, há ainda algumas marcas que os maçons deixaram na arquitectura local e até o próprio Salão Nobre da Câmara Municipal exibe ­ por cima da mesa de reuniões ­ um tríptico com simbologia maçónica, que foi mandado pintar no tempo do Estado Novo.

Gestão imobiliária divide Maçonaria



Grande Oriente Lusitano.
António Reis recandidata-se a chefe da maior obediência maçónica portuguesa. Enfrenta Filipe Frade, coronel reformado. No sábado saber-se-á o resultado. Divide-os a gestão do valioso património imobiliário da instituição, cujo valor ascende a milhões de euros

Eleições para grão-mestre do GOL começam amanhã

O Grande Oriente Lusitano (GOL) vai a votos. A partir de amanhã, os "irmãos" da maior obediência maçónica portuguesa começarão a colocar os seus votos nas urnas. Dia 7, sábado, os resultados serão anunciados.

Apresentaram-se dois candidatos: António Reis, actual grão-mestre, que tenta um segundo mandato de três anos (foi eleito para o primeiro em Junho de 2005) e Filipe Frade, coronel na reforma, homem que, como Reis, esteve também ligado ao combate à ditadura no Estado Novo (nomeadamente na LUAR, um grupo que tentou a via armada).

Membros do GOL ontem ouvidos pelo DN adiantaram que a principal divisão entre Reis e Frade reside na solução para a gestão do valiosíssimo património imobiliário da instituição. Estão em causa, nomeadamente, edifícios situados no centro de Lisboa, e cujo valor ascende a milhões de euros.

O GOL tem como braço legal o Grémio Lusitano, instituição com número de contribuinte e personalidade jurídica formalizada.

António Reis pretende, na órbita do Grémio, criar uma Fundação Grémio Lusitano. Ela irá, segundo o programa apresentado pelo recandidato a grão-mestre - e a que o DN teve acesso - "contribuir decisivamente para a salvaguarda e valorização de todo o património" da obediência. Isto através de "meios de gestão em moldes adequados aos tempos actuais, capazes de rentabilizar todo o património" do GOL.

"Este impulso [para a criação da Fundação Grémio Lusitano] foi sem dúvida decisivo para deixarmos de ser um conjunto de lobbies com interesses distintos e nos tornarmos uma verdadeira Obediência, dotada dos meios próprios para a prossecução dos fins próprios da Maçonaria", lê-se ainda no programa de António Reis.

Segundo o DN apurou, Filipe Frade contesta esta solução para a gestão do património imobiliário do Grande Oriente Lusitano. Aparentemente, receia que ao concentrar-se a gestão de "todo o património" numa instituição formalmente externa ao GOL, este acabe por perder o seu controlo.

No seu programa de candidatura, a que o DN teve acesso - e que está escrito numa linguagem quase ininteligível para qualquer "profano" (não-maçon) - diz que está "instalada" a "confusão entre construção maçónica e construção civil". E esta "confusão" - acrescenta - "não é apenas um retrocesso, antes revela o método que tem passado do exterior - a visualidade das obras públicas - para o interior, em tais circunstâncias de forma infamante e lesivo da Honra e Dignidade Maçónicas."

Ou seja: Filipe Frade opõe-se à concentração num só organismo maçónico da gestão de "todo o património" da obediência, como defende Reis. E se o seu projecto se concretizar, isso significa que se está na "iminência de actos que vão contra a integridade das Lojas".

terça-feira, 3 de junho de 2008

Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano quer Maçonaria nas Comemorações do Centenário da República


A imagem “http://www.gremiolusitano.eu/img/antonio_reis_xp.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

António Reis quer que o Grande Oriente Lusitano (GOL) tenha uma palavra a dizer sobre as comemorações do centenário da República. Por isso, no programa para o próximo triénio com que se recandidata a grão-mestre da principal obediência maçónica portuguesa, propõe que seja constituída uma associação nacional que seja interlocutora, em nome do Grande Oriente Lusitano, com a Comissão Nacional nomeada pelo Governo e presidida por Augusto Santos Silva.

O actual grão-mestre, António Reis, que disputará no próximo dia 7 de Junho a sua reeleição frente à candidatura de Filipe Frade, um militar na reserva - ambos se recusaram a falar com o PÚBLICO sobre esta eleição e as propostas que defendem -, sustenta, no documento programático que apresenta como programa de acção, que essa associação deve ser integrada pelo Grémio Lusitano e pelos Centros Republicanos, em representação do GOL, bem como por outras associações da sociedade civil.

Apelando a uma maior mobilização maçónica para as cerimónias anuais do 5 de Outubro, António Reis diz que "importa preparar agora um conjunto de iniciativas que assinalem devidamente a participação decisiva do Grande Oriente Lusitano Unido [GOLU] na Revolução Republicana, bem como a actualidade dos valores republicanos, cuja matriz maçónica é inquestionável".

Assim, se for reeleito, António Reis propõe que nos Encontros Internacionais de Lisboa, organizados pelo GOL, se realize um "grande colóquio sobre as relações entre a maçonaria e a República, não apenas em Portugal". E promete também editar obras sobre o papel do GOLU na revolução.
Ainda no próximo triénio, no que se refere a actividades para o exterior, o grão-mestre cessante promete, se for eleito, organizar "um grande colóquio sobre o tema das desigualdades na sociedade portuguesa". E sublinha que este é "um tema a abordar sob as mais diversas perspectivas: desde a reflexão ética até às suas multímodas manifestações nos planos social, económico, cultural e do género". Para concluir: "Será uma forma de reafirmarmos o nosso empenho num dos princípios que nos é mais caro: o da Igualdade."

Propondo-se prosseguir a "dinamização das Lojas do GOL", António Reis salienta a importância de aumentar o número destas secções internas e de criá-las nos novos centros urbanos que se desenvolveram nas últimas décadas em Portugal. E alerta para que "este novo ambiente gerou e desenvolveu novos grupos sociais, de espírito urbano e liberal, que são a base ideal para o recrutamento maçónico".

Reis promete ainda prosseguir a informatização do GOL, a organização da biblioteca e do arquivo e o investimento no museu, para o qual pretende continuar a adquirir peças, através de compra ou doação. E defende a criação de um fundo de solidariedade para que o GOL possa socorrer financeiramente não só associados que estejam em dificuldades, como grupos sociais e pessoas atingidas por catástrofes
naturais.

domingo, 25 de maio de 2008

Documentos Maçónicos Antigos

Documentos antigos da maçonaria: De 926 a 1929, clicar aqui

Tradição Hermética e Maçonaria

TRADIÇÃO HERMÉTICA E MAÇONARIA

No antigo manuscrito maçónico Cooke, (cerca de 1.400) da Biblioteca Britânica, lê-se nos parágrafos 281-326 que toda a sabedoria antediluviana foi escrita em duas grandes colunas. Depois do dilúvio de Noé, uma delas foi descoberta por Pitágoras, a outra por Hermes, o Filósofo, que se dedicaram a ensinar os textos ali gravados. Isto se encontra em perfeita concordância com o testemunhado por uma lenda egípcia, da qual já dava conta Manethon, segundo o mesmo Cooke, vinculada também com Hermes.

É óbvio que essas colunas, ou obeliscos, semelhantes aos pilares J. e B., são as que sustentam o templo maçónico e, ao mesmo tempo, permitem o acesso ao mesmo e configuram os dois grandes afluentes sapienciais que nutrirão a Ordem: o hermetismo, que assegurará o amparo do deus através da Filosofia, quer dizer do Conhecimento, e o pitagorismo, que dará os elementos aritméticos e geométricos necessários, que reclama o simbolismo construtivo; deve-se considerar que ambas as correntes são directa ou indirectamente de origem egípcia. Igualmente que essas duas colunas, são as pernas da Mãe loja, pelas quais é parido o Neófito, quer dizer pela sabedoria de Hermes, o grande iniciador, e por Pitágoras, o instrutor gnóstico.

De fato, na mais antiga Constituição Maçónica editada, a de Roberts publicada na Inglaterra em 1722 (portanto anterior à de Anderson), mas que não é mais que a codificação de antigos usos e costumes operativos que derivam da Idade Média, e que serão desenvolvidos posteriormente na Maçonaria especulativa, menciona-se especificamente a Hermes, na parte chamada "História dos Franco-maçons". Efectivamente, ali aparece na genealogia maçónica com esse nome e também com o de Grande Hermarmes, filho de Sem e neto de Noé, que depois do dilúvio encontrou as já mencionadas colunas de pedra onde se achava inscrita a sabedoria antediluviana (atlântica) e lê (decifra) numa delas o que em seguida ensinará aos homens.

O outro pilar, como se mencionou, foi interpretado por Pitágoras enquanto pai da Aritmética e da Geometria, elementos essenciais na estrutura da loja, e portanto ambos os personagens formam, como vimos, a "alma mater" da Ordem, em particular em seu aspecto operativo, ligado às Artes liberais. (clicar aqui para ler o resto)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)

Livro sobre a maçonaria portuguesa e os Açores

O Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo promove dia 16 de Maio, em Ponta Delgada, a apresentação pública do livro “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)”, da autoria de António Lopes.

A apresentação da obra, que decorrerá na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a partir das 21 horas, vai estar a cargo de Carlos Enes.

O autor de “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)” é director do Museu Maçónico Português, cargo que acumula desde 2003 com as funções de presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, membro do Conselho Cultural da Associação Industrial Portuguesa e consultor do Instituto do Património.