segunda-feira, 13 de março de 2017

O Preço da Maçonaria

Foi com inicial espanto que fui posto ao corrente sobre o preço da maçonaria em Portugal. Assim, entrar para uma estrutura maçonica, por exemplo através de uma iniciação, ronda os 750€, as mensalidades, cotizações, capitações, alcançam (pelo menos) os 25€ a 30€ (ou 300€ a 350€ anuais).

E a julgar pela experiência pessoal, tendo em conta o que circula no meio, algumas pessoas à frente de algumas estruturas são manifestamente pouco, muitíssimo pouco, crediveis.

É de lamentar que alguns dos que ostentam o nome de maçons, não pareçam manifestar um desconforto que deveria ser mais do que natural... 

Faria mais sentido, nos tempos que correm, fazer emergir a nossa reflexão sobre o valor, e não o preço, de ser maçom... Também aqui, como noutros domínios da vida humana, a materialidade impõe-se.

Só para avivar a crítica construtiva, percorrendo a net, as importãncias cobradas em Inglaterra (com ligeiras variações) oscilam entre os 80£ a 100£ por iniciação e entre as 75£ a 150£ anuais de cotização.

Nos Estados Unidos o panorama pode ser diverso (240 USD/iniciação e 300 USD anuidade, foram os valores mais elevados que encontrei).

Em cada um dos casos anteriores mencionados os maçons são essencialmente convidados a contribuir para obras de cariz social da comunidade, muitas delas desenvolvidas pela própria estrutura maçónica a que pertencem.

A disparidade com o caso português é evidente e deveria dar que pensar... Mas se calhar não dá, e isso também deveria ser motivo de reflexão.

Por último partilho a satisfação de poder estar integrado num lugar onde a materialidade fica de facto à porta do templo, e o prazer do convívio, da egrégora, ainda é o que nos move.

Tratar toda a maçonaria por uma pequena sua parte também é injusto, e/ou incorreto. Continua a ser com redobrado orgulho que conheço diferentes irmãos de diferentes obediencias e noto que se comunga dos princípio nobres que corporizaram, desde sempre, o nascimento da arte real.





quinta-feira, 5 de maio de 2016

A maçonaria no seu melhor, e também não

Quem escreve estas linhas tem a suficiente experiência para não se surpreender com as fraquezas humanas, mesmo aquelas que têm origem na própria maçonaria que, supostamente, deveria encarnar essa espécie de "arte de se ser, de se tornar pessoa moralmente exemplar". Mas é assim mesmo, tal arte é um processo contínuo e, portanto, inacabado. Verdade se diga que alguns indivíduos há que parecem cada vez mais afastados desse ideal, em desprimor do seu estatuto dentro da própria maçonaria. Não apontarei ninguém, não falarei contra ninguém... Agora é manifesto que, com regularidade, parece que os mesmos andam sempre nas bocas do mundo, quando a regra deveria ser a descrição.

Cada um, se for disso capaz, e de modo isento, que ajuíze por si! 

Não posso deixar de fazer referencia ao conteúdo do link que se segue (clicar aqui) onde se questiona determinada obediência, certa preponderância efémera, e o aludido declínio pelo qual está a passar. Nada disso me faz regozijar pois é toda a maçonaria portuguesa que é atirada para o lodaçal. Nestas altura muitas inverdades se jogam para o ar e dever-se-á, prioritáriamente, vincar que se não deve confundir a parte com o todo. 

Há quem pratique os rituais de memphis-misraim de forma justa e perfeita... Há quem somente busque o aperfeiçoamento pessoal e a intrínseca sabedoria que faz de um homem um Homem... Aos que se perfilam na mesma linha saibam que há quem pratica estes valores, de forma regular, legítima e longe de todas as tricas e confusões. Não poderei dizer que a porta está aberta a todos, tão somente áqueles que, na soberania do seu livre arbítrio, escolhem o caminho da retidão. A esses sim abrimos as postas.

Saudações fraternais, tenhamos confiança na justiça Universal, quando a dos homens estiver longe do seu correto caminho.

maconaria.em.portugal@gmail.com
 


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Maçonaria Portugal - A Maçonaria Egípcia credível presente em Portugal

A MAÇONARIA EGÍPCIA EM PORTUGAL


Existem várias Obediências/Lojas Maçónicas que praticam diversos Ritos dos ditos Egípcios em Portugal, nomeadamente o Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim, nas suas duas vertentes, oriundos de Itália (Rito Antigo Oriental Memphis Misraim) e proveniente de França (Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim), assim como o Rito de Memphis.

O que é um Rito? e que significa o seu nome? vejamos no caso do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim, da Estrutura Maçónica que detêm a Tradição Regular proveniente de França, e instalada em Portugal, a saber, o G.O.L. Grande Oriente Lusitano que detém Carta Patente na  escala de 33º graus atribuida pelo Grande Oriente de França. Existe o S.S.I. (Soberano Santuário Internacional de Memphis Misraim) e a G.L.S.F. - Grande Loja Symbolique de France que trabalham na escala de 95º graus em Portugal.

Rito: é o conjunto de regras e cerimónias praticadas em nossa Tradição. O Rito é um caminho iniciático em si mesmo. 

Antigo: Originalmente em nosso Rito encontramos o Rito de Misraim (Veneza, Itália - 1788) e o Rito de Memphis (Montauban, França - 1815). Foi o Grão-Mestre Giuseppe Garibaldi quem preparou e viabilizou a fusão dos dois Ritos em 1881.

Primitivo: O actual Rito MEMPHIS MISRAIM tem uma primeira filiação que vem do Rito Primitivo, de Paris,  em 1721, e do Primitivo dos Philadelphos, Narbonne, em 1779.

Memphis: Cidade do Antigo Egipto, situada no delta do Nilo. Ali foi criado o Rito por iniciados que estavam em contacto com essa antiga civilização.

Misraim: Essa palavra é a forma plural de "Egípcio". O rito aparece em Veneza, num grupo de socinianos. A patente constitucional foi dada por Cagliostro.

Soberano Santuário: Termo específico do Rito de Memphis Misraim. É a Direcção do Rito como um todo, seguindo as antigas Tradições.


A G.L.S.F - Federação Portuguesa e o Soberano Santuário Internacional do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim em Portugal
São 12 Lojas que trabalham nas três diferentes vias (Masculina, Feminina e Mista) nos graus azuis (Aprendiz, Companheiro e Mestre) sob os auspícios do G.L.S.F - Federação Portuguesa em Portugal no Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim.

No coração de Lisboa, cidade com forte influência histórica Templária e Maçónica, onde permanecem ocultos e dispersos sinais não identificáveis pelos olhos pouco treinados, misturam-se na brisa predominante que sopra de Noroeste o esoterismo, a simbologia e a tradição. 

Rito Memphis Misraim no Porto
Para além das Lojas existentes em Lisboa, é possível encontrar e trabalhar a Maçonaria Egípcia também na cidade do Porto, na Via Mista.

Imbuídos dos deveres maçónicos, os Franco-Maçons desta estrutura asseguram-se que seja vivenciado o verdadeiro espírito dos iniciados e que estes sejam sempre animados com o mote da Maçonaria Universal e particularmente da progressista, a saber: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Dentro da máxima tolerância e num espírito de fraternidade, asseguramos de uma forma regular a continuidade da tradição iniciática que nos foi confiada pelo S.S.I e a G.L.S.F em Abril de 2008 com a consagração da Loja MAAT, Nº100 ao Oriente de Lisboa e dos Altos Graus do Rito Memphis Misraim. Através de uma selecção rigorosa das qualidades intrínsecas do candidato, garantimos que os trabalhos e a admissão (controlada em número máx. de 4 candidatos por ano) dos nossos membros são para nós, o garante de um trabalho iniciático sério, que respeita a tradição maçónica simbólica e iniciática e que é reforçada por uma contínua e exigente formação/instrução. O rigor na qualidade da práctica dos rituais e dos trabalhos maçónicos em Loja, permite assegurar que esta estrutura prima pela qualidade em detrimento da quantidade dos seus membros.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Maçonaria em Portugal - O que é a Maçonaria?



A MAÇONARIA EM PORTUGAL

A Maçonaria é uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre-pensamento e na tolerância, que tem por objectivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista á edificação de uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

A MAÇONARIA em PORTUGAL não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada um. Considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A MAÇONARIA é uma Ordem de duplo sentido: de instituição perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem determinados fins e que estão vinculadas a certas regras.

É Iniciática, porque só pode nela ingressar quem se submeta á cerimónia de iniciação, verdadeiro “baptismo” maçónico, que significa literalmente o começo, e simboliza a passagem das trevas á “Luz”.

É ritualista, porque as suas reuniões obedecem a determinados ritos, que traduzem simbólicamente, sinteses e sabedoria, remontando aos tempos mais recuados.

É universal e fraterna, porque o seu fim ultimo é a fraternidade universal, ou seja, o estabelecimento de uma única família na face da Terra, em que os Homens sejam, no seio da Ordem, verdadeiramente irmãos, sem qualquer distinção de raça, sexo, religião, ideologia e condição social.

Como escreveu Fernando Pessoa, “a Nação é a escola presente para a Super-Nação futura”. Amar a Pátria e a Humanidade é outro dos deveres dos Maçons.

É filosófica. porque, ultrapassada a fase operativa (coorporações de arquitectos/construtores medievais), transformou-se numa associação de carácter especulativo, procurando responder às mais profundas interrogações do Homem. Conserva contudo, o vocabulário, os utensilios e a simbologia dos pedreiros construtores dos antigos templos.

Afinal, o fim último da Maçonaria é a construção de um Homem novo e de uma Sociedade nova. Por isso, todos os seus ritos assentam na ideia de construção e são baseados na geometria, a mais nobre das artes, porque só ela permite compreender a medida de todas as coisas. Assim se justifica que a régua, o esquadro e o compasso continuem a ser instrumentos previligiados do pensamento maçónico.

É progressista, porque visa o progresso da Humanidade, no pressuposto de que é possível um homem melhor numa sociedade melhor. Encurtar as desigualdades e reduzir as injustiças sociais é um dos seus objectivos, através da elevação moral e espiritual de cada individuo. Porém a Maçonaria não é uma instituição política e, muito menos, partidária. Está acima de todos os partidos, coexistindo nela pessoas das mais diversas sensibilidades, crenças e ideologias... A MAÇONARIA EM PORTUGAL é assim um espaço de diálogo e de tolerância. A sua influência na Sociedade não se exerce directamente,... mas apenas indirectamente, através do exemplo, da pedagogia e da influência individual dos seus membros nos locais ondem exercem a sua actividade: no emprego, nos partidos, nas organizações cívicas e sociais...

É livre pensadora, porque não aceita dogmas, pratica a tolerância e respeita a liberdade absoluta de consciência. O Maçon tem o direito de examinar e de criticar todas as opiniões e de discutir todos os problemas, sem quaisquer peias ou limitações. A Maçonaria é anti-dogmática, tanto no aspecto politico como religioso ou filosófico. A política e a religião pertencem ao foro intimo de cada um e não podem ser discutidas, salvo nos termos genéricos acima referios, para não abalar a união do povo maçónico, pois, como se disse, a instituição congrega pessoas de todas as crenças ou sem crença nenhuma, de todas as ideologias não totalitárias.

Assim é rotundamente falsa a acusação que vem dos tempos do “Santo Ofício” e que foi retomada pela ditadura deposta em 25 de Abril de 1974 de que os Maçons, ou o pedreiro livre, é contra a religião. Muitos e ilustres membros da Ordem foram e são crentes e , até, bispos e cardeais.

A Maçonaria aceita, aliás, a existência de um princípio superior, simbolizado pelo “Grande Arquitecto do Universo” (G.A.D.U.), que não tem definição e que cada um interpreta segundo a sua sensibilidade ou convicção. Para uns será o Deus em que acredita, para outros o Sol, fonte de vida, a própria natureza, a lei moral ou ainda a resultante de todas as forças que actuam no Universo. Esta ideia implica o respeito por todas as religiões, pois todas são igualmente verdadeiras, sem prejuízo do necessário combate ao fanatismo e à superstição.

Nos tempos remotos e medievais, o Maçon era obrigado a perfilhar a religião do seu País. Mas depois do Iluminismo, e das formas modernas, considerou-se mais adequado, apenas lhe impôr a religião sobre a qual todos estão de acordo, e que consiste em amar o próximo, fazer o bem e ser homem bom, de honra e probidade. Deste modo a Maçonaria é uma casa de união entre ateus, agnósticos e pessoas dos mais diversos credos.

Deve porém dizer-se que a Maçonaria Regular, Tradicional ou de Via Sagrada, por oposição ao ramo Liberal ou Laico, impõe, a crença em Deus e na imortalidade da alma, excluindo também as mulheres. No entender de alguns Maçons este facto viola os principios maçónicos e constitucionais de igualdade (art.13º da Constituição da Republica Portuguesa). Ao manter uma velha tradição de 300 anos, que teima em não adequar aos valores ético-humanistas do nosso tempo, o ramo tradicional ou anglo-saxónico exclui da dignidade maçónica três quartos da Humanidade.


(Texto retirado de “Introdução á Maçonaria” de António Arnaut)

António Arnaut desafia Maçonaria a rejeitar "capitalismo opressivo"

O escritor António Arnaut, antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), exortou hoje a Maçonaria a rejeitar o "capitalismo opressivo" em Portugal e no mundo, lamentando o seu silêncio.



"Todos aqueles que sentem o povo e a Pátria não podem ficar calados, sob pena de serem cúmplices do drama social que estamos a viver", declarou António Arnaut à agência Lusa, a propósito de dois livros da sua autoria que vão ser apresentados no sábado, em Coimbra.


Na sua opinião, a ordem maçónica, que integra há várias décadas, "devia realmente intervir" e condenar publicamente "este capitalismo opressivo", tanto no país, como a nível global.


"A Maçonaria devia ter dito aquilo que disse o papa Francisco: o neoliberalismo faz os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos", disse.


Para António Arnaut, escritor, advogado e um dos fundadores do PS, "trata-se, aqui, de intervenção no plano dos direitos humanos, da dignidade do homem e da própria defesa da identidade e da soberania da Pátria".

A Maçonaria "devia ter uma palavra e tem estado calada", disse.

"Devia fazer alguma coisa. Devia realmente utilizar os instrumentos do ofício: a régua e o esquadro, que significam a retidão e a justiça, e o compasso, que significa o livre pensamento e a liberdade", acrescentou.

Os dois últimos livros de António Arnaut - "Alfabeto íntimo e outros poemas" e "Iluminuras - Adágios, incisões e reflexões" - serão apresentados no sábado, às 15:00, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, pelo professor universitário Seabra Pereira e pela jornalista Clara Ferreira Alves, respetivamente.

Numa das reflexões, na segunda obra, o "maçon" e antigo grão-mestre do GOL - Maçonaria Portuguesa questiona o papel da instituição "perante as chagas de pobreza e sofrimento que assolam o mundo e cobrem de desespero o corpo exausto de Portugal".

Defendendo que, num tempo "de tantas desigualdades e injustiças evitáveis, não basta proclamar os princípios", afirma que, "se a Maçonaria não tiver lugar na consciência coletiva, não está na consciência individual dos que juraram lutar pelos seus valores".

A política, o socialismo e a solidariedade são conceitos que motivam outras das reflexões do autor, que disserta ainda sobre o Serviço Nacional de Saúde, do qual foi o principal impulsionador, e o atual líder da Igreja de Roma, o papa Francisco, entre diversos assuntos.

"Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais", disse à Lusa.

António Arnaut acusou aqueles "que passaram para o neoliberalismo, que se venderam", dando os exemplos de Tony Blair (antigo primeiro-ministro britânico) e Gerhard Schroeder (ex-chanceler alemão), "que hoje são administradores de grandes empresas".

Os dois novos livros "são formas de intervenção poética, cívica e ética nos momentos nublados que vivemos, em que o sol não aparece ou só brilha para alguns", sintetizou.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Gnosce te Ipsum


Ler original aqui

No Japão, um professor alemão, Herrigel, estava aprendendo a arte do arco-e-flecha com um mestre Zen. Ele se tornou perfeito, 100% perfeito, não errava nenhum alvo.

Naturalmente, ele disse ao mestre:
“Agora o que resta aprender aqui? Posso ir embora agora?”.

O mestre respondeu:
“Você pode ir, mas não aprendeu nem o bê-á-bá da minha arte”.

Herrigel disse:
“O bê-á-bá da sua arte? Mas eu sempre acerto o alvo!”.


O mestre replicou:
“Quem está falando em alvo? Qualquer tolo pode fazer isso, basta praticar. Isso não tem nada de mais; agora é que começa a verdade. Quando o arqueiro pega o arco e a flecha e mira o alvo, há três coisas a ter em conta: uma é o arqueiro, que é o mais fundamental e básico, é a fonte, é a essência; depois há a flecha, que é o que passará do arqueiro para o alvo; e depois há o objetivo, o alvo, o ponto mais distante.

Se você acertou o alvo, apenas atingiu o mais distante, apenas tocou na periferia.

Você precisa tocar na fonte; você apenas se tornou tecnicamente um especialista em atingir o alvo; mas, se estiver tentando penetrar nas águas mais profundas isso não é muito. Você é um especialista, é uma pessoa de conhecimento, mas não de sabedoria. A flecha se movimenta a partir de você, mas você não sabe de que fonte vem a energia que a movimenta, com qual energia.
Como ela se movimenta? Quem a está movimentando? Você não sabe isso pois não conhece o arqueiro.
Você praticou o arco-e-flecha, você acertou no alvo, sua pontaria foi 100% perfeita, você tornou-se eficiente com um nível de perfeição de 100%, mas isso se refere ao alvo.

E você? E o arqueiro? Alguma coisa aconteceu no arqueiro?
Sua consciência mudou um pouco? Não, nada mudou.
Você é um técnico e não um artista.

Você vê as flores de uma árvore, mas esse não é o conhecimento real, a menos que você penetre fundo e conheça as raízes. As flores dependem das raízes; elas nada mais são do que a expressão da essência das raízes. As raízes estão carregando a poesia,a fonte, a seiva que se tornarão as flores, que se tornarão os frutos, que se tornarão as folhas.

E, se você contar continuamente somente com os frutos e as flores e nunca penetrar na escuridão da terra, nunca entenderá a árvore, pois a árvore está nas raízes.”
Lembre-se que o alvo nunca está do lado de fora.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

 R:.L:. Ocidente, G:.O:.L:.

Ler original aqui

Simbolismo Maçónico


PREFÁCIO
Estas notas sobre o SIMBOLISMO MAÇÓNICO, destinam-se a instrução maçónica dos  Ob:. da Resp:. L:.Ocidente, e constituem fundamentalmente uma recolha de ideias, opiniões e de saberes de autores consagrados, que tentámos encadear numa perspetiva de desenvolvimento lógico do tema, de acordo com a experiência e sensibilidade do autor.
Havendo uma vasta biblioteca sobre esta parte da ciência maçónica ficou, forçosamente, ao seu livre arbítrio, a escolha das obras que pareceram mais adequadas ao fim em vista.
Se os AAp:. da minha L:. virem neste trabalho alguma utilidade, considerar-nos-emos remunerados pelo esforço desenvolvido com tanto gosto.
Este trabalho tem reconhecidamente defeitos.  Ele pode de facto ser construído melhor. Todavia o prazo por mim próprio imposto não me permitiu fazer as correções que se aconselhavam, mas deixo isso aos AApr :. da minha L:., para além de um desafio é uma proposta de trabalho muito útil nesta fase das suas vidas maçónicas.

Flemming M:.M:.
INTRODUÇÃO
Joaquim Gervásio de Figueiredo, no seu Dicionário de Maçonaria, deixou expresso que a Maçonaria é algo mais importante do que uma simples continuação tradicional das associações operativas medievais e muito menos um agrupamento utilitarista de “clubes para entretenimentos sociais, políticos e comerciais” como alguns a têm entendido. Ler mais »

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Maçonaria o que é?

A Ordem dos Maçons Livres e Aceitos é uma sociedade secreta, mas aberta a homens de todas as religiões – só não seriam "aceitos" ateus e mulheres (o que hoje só se verifica em certa ortodoxia ultrapassada).

“Para fazer parte dela todo o indivíduo deveria crer em "Deus" e ter uma conduta ética e honesta. Não pode contar o que ocorre nas reuniões e nem se identificar como maçom perante terceiros”. O nome vem do francês maçon, que quer dizer pedreiro. A génese da organização surgiu na Idade Média, época de grandes construções – como castelos e catedrais – sendo uma espécie de embrião dos sindicatos: as chamadas corporações de ofício.

Nelas se reuniam os trabalhadores medievais – como alfaiates, sapateiros e ferreiros, que guardavam suas técnicas a sete chaves. “Os pedreiros, em especial, viajavam muito a trabalho. Por isso tinham uma certa liberdade, ao contrário dos servos, que deviam satisfação ao seu senhor feudal caso quisessem deixar suas terras”.

Daí vem o nome original “maçonaria livre”, ou freemasonry em inglês. Após o final da Idade Média, a maçonaria passou a admitir outros membros, além de pedreiros. Transformou-se, assim, numa fraternidade dedicada à liberdade de pensamento e expressão, religiosa ou política, e contra qualquer tipo de absolutismo/dogmatismo. Deste modo a organização teve forte influência nos bastidores da Revolução Francesa e da independência dos Estados Unidos.

Por muito que custe a certos detractores, na origem da maçonaria está o gérmen da liberdade.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Consumo logo existo


"Vou com frequência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz"."

sábado, 9 de outubro de 2010

A busca filosófica como forma de serenar a alma

Nietzsche: "Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como."

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O segredo maçónico é a Egrégora?

Por uma Egrégora

Para início torna-se adequado começar por uma análise etimológica do termo que para alguns tem origem árabe (eg + gregen = o que reúne), grega (egregorein, Velar, vigiar) ou latina (gregariu, donde derivaria também o termo gregário, com o sentido de fazer parte de um conjunto de indivíduos).

Segundo Jules Boucher a Egrégora é “uma entidade, um ser colectivo, originado por uma assembleia, cada loja possui a sua, tal como cada obediência, e a reunião de todas elas constitui a Egrégora maçónica”.

A Egrégora é a “corporização” das energias individuais (físicas, emocionais, mentais) dos que compõem uma assembleia num sentimento e vontade comuns unidas por um mesmo objectivo a atingir.

Atingir este plano é harmonizar as dissonâncias individuais numa melodia colectiva, é constituir um espírito de corpo em que todos os órgãos funcionam para um bem/existência comum. Quando um elemento da estrutura padece de um mal é no todo que tal se reflecte. É na cumplicidade/sentido de verdadeira irmandade entre seus membros, que nasce a capacidade de gerar paz, evolução espiritual e conhecimento aos que dessa cumplicidade usufruem. Conforme à palavra de Cristo no evangelho de S. Mateus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei entre eles”... A Egrégora permite, assim, atingir um plano de consciência superior... De comunhão mesmo com o divino...

A aprendizagem, viagem iniciática do aprendiz, é um passo fundamental à sua formação pessoal e da estrutura em que se integra... À criação da Egrégora... Que este modesto trabalho possa contribuir para tão nobre realidade.

O todo Humano não é mera adição de partes se entre elas não existir Amor Fraterno


David, M:.M:.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pessoa e Crowley encontraram-se no dia 23 de Setembro

Em Setembro de 1930, Aleister Crowley chega inesperadamente à cidade de Lisboa, com o pretexto de conhecer Fernando Pessoa, com quem se corresponde há algum tempo, em torno dos interesses comuns em astrologia e esoterismo. É o poeta que o recebe no Cais da Rocha do Conde de Óbidos. Pouco mais se sabe, com segurança, sobre o que se passou entre eles. Crowley, conhecido por muitos como a Besta 666, é uma das figuras mais enigmáticas do seu tempo. Expulso de Itália por Mussolini, sobre ele recaem as acusações de culto ao demónio e práticas de magia negra. Dias depois da sua chegada a Lisboa, o mágico ocultista vai a Sintra jogar uma misteriosa partida de xadrez e desaparece nos penhascos da Boca do Inferno, deixando atrás de si uma críptica nota de suicídio. A imprensa agita-se com o seu desaparecimento e as informações contraditórias que surgem a propósito. Cresce a especulação em torno do envolvimento de Pessoa na suposta encenação macabra.

Clicar aqui e aqui para completar...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Significado de "Loja"

Ler original aqui

O termo provém do germânico: leubja (pronúncia: lóibja) e do frâncico: laubja, através do francês: loge e designa o pavimento térreo de um prédio, a casa comercial estabelecida em loja e, também, uma corporação maçónica e o local onde ela realiza reuniões. Originada nas Guildas medievais, a palavra leubja significava, na antiga língua germânica, lar, casa, abrigo; e acabou dando origem a termos de sentido eventualmente diferente, em outros idiomas: lodge, em inglês, loge, em francês, loggia, em italiano, logia, em castelhano. Em português, a palavra Loja provém do frâncico (idioma dos antigos francos) laubja, através do francês loge e designa, além da Loja maçónica. o pavimento térreo de um prédio, ou o estabelecimento comercial.


Em francês, todavia, loge significa choça, cubículo, camarote, camarim e loja maçónica (o estabelecimento comercial é "boutique"). Em italiano, o termo loggia passou a designar a entrada de edifício, ou galeria usada para exposições artísticas, para venda de produtos artesanais, ou como pátio, varanda, alpendre, além de Loja maçónica. Em inglês, o termo lodge significa cabana, furna, toca, choupana e loja maçónica (o estabelecimento comercial é "magazine"). Portanto, nem todas essas palavras designam casas comerciais, mas todas designam a corporação maçónica e o local de suas reuniões.

O termo surgiu, pela primeira vez, em 1292, num documento de uma Guilda, organização medieval de ofício.
As guildas de mercadores adoptaram a palavra, para designar os seus locais de depósito e de venda dos produtos manufacturados, enquanto as guildas artesanais a usaram, para designar os seus locais de trabalho, ou seja, as oficinas dos artesãos. Destas últimas, originou-se o nome dos locais de reuniões maçónicas e da corporação.

A Bula “In Eminenti” do Papa Clemente XII

A Bula “In Eminenti” assinada pelo Papa Clemente XII em 1738, foi na verdade uma articulação daqueles que estavam à sua volta, sob o comando do Cardeal Néri Corsini, sobrinho, assessor e braço direito de Clemente XII.

O Papa nessa época estava muito doente, quase não saia da cama (sofria de artrose severa que praticamente o impedia de sair da cama, que os médicos da época chamavam de “gota” e tinha também uma érnia, que por vezes lhe saíam as vísceras, precisava sempre andar com ligaduras para mantê-las no lugar), e completamente cego.... Tudo o que ele assinava, tomava conhecimento através do que lhe era falado.

Depois do conteúdo de qualquer documento ser explanado e, ele estando de acordo, seu assessor, o Cardeal Corsini, orientava sua mão na parte do documento que deveria ser assinada. Sinteticamente, como a maioria de nós já sabe, a Bula diz que quem frequentar Ordens Iniciáticas Secretas (inclui-se aí a Maçonaria) será excomungado.

Vamos narrar alguns fatos históricos importantes para entendermos porque e como ela foi elaborada.

A Igreja Romana preocupava-se especificamente com um oficial Inglês chamado Barão Stosch, pois para a época ele era um revolucionário que pregava ideais de liberdade que colocavam em risco o poder da Igreja, além disso falava aos quatro ventos que era um “Liberi Muratori” (Free-Mason - Franco-Maçom) e membro de uma Loja Maçônica em Florença, como a Igreja já tinha conhecimento de que na Ordem havia um “grande segredo” que não poderia ser revelado, esse foi um motivo muito grande para colocar a Ordem na mira do poder da Igreja.

Vale um esclarecimento, a maioria esmagadora das Lojas Maçónicas Européias do séc XVII e XVIII formam fundadas por Ingleses, Irlandeses e Escoceses, das mais variadas áreas profissionais.

É bom reforçar, todas elas tinham Ingleses, Irlandeses e Escoceses em seus quadros, que para a Igreja Católica eram considerados hereges.

Ocorre que nem na própria Maçonaria, em Florença, o Barão Stosch era bem quisto. Mas, como ele era amicíssimo e mantinha um óptimo relacionamento com Sua Majestade o Rei da Inglaterra, ninguém tinha coragem de propor sua saída da Ordem e de Florença e, apesar da Igreja pressionar o Grão-Duque da Toscana a expulsar o mencionado oficial, ele demora a executar essa ordem, pois também não queria criar um problema sério com o Rei da Inglaterra.

Os Membros do Clero que estavam assessorando o Papa estavam de olho nele e na Maçonaria de algumas cidades Italianas, (Florença, Veneza, Pisa) e era contra elas que estavam preparando uma “punição”. Mas, por sua (da maçonaria) dita “universalidade”, o Vaticano acabou estendendo essa “punição” para toda a instituição européia continental, a coisa deixaria de ser pessoal e passaria a ser contra a instituição. Mais ou menos assim: - matar a vaca para acabar com o carrapato.

Desde o Século XVII a alta cúpula do Papado de Roma estava preocupada com a nova sociedade, que surgia com muita força em quase todos os países da Europa. Denominada Franco-Maçonaria, não por evidências de desvio de comportamento de seus integrantes, mas principalmente pelo conteúdo do juramento que era prestado pelos homens que nela entravam.

Percebam que já era de conhecimento da Igreja, desde o final do Séc. XVII, o conteúdo do Juramento da nossa Cerimônia de Iniciação Maçônica.

O que lhes causava verdadeiro “pânico” era os iniciados se permitirem ter uma morte “horrível” e “cruel” se revelassem o seu segredo.... Que era o de ter o P.'. cortado e a cabeça A.'. e seu C.'. Ent.'. nas areias do mar, onde o F.'. e R.'. das ondas o mantivesse em P.'. Esquecimento.

Para eles, a permissão desse tipo de morte para guardar um segredo, dava margem a criarem um sem número de teorias conspiratórias contra o poder da Igreja no continente Europeu, e esse também foi o argumento utilizado pela Igreja para trazer como aliados Reis de alguns Países europeus. De forma bem objetiva não era nada mais que isso.

O conteúdo do nosso Juramento está escrito em vários documentos do Vaticano espalhados por toda a Europa, e estão guardados em Arquivos ou Bibliotecas Nacionais e no próprio Arquivo Secreto do Vaticano até hoje. >>>Só a título de curiosidade, o jornal londrino “The Flying Post” publicou nos dias 11, 12 e 13 de Abril de 1723, “a masons examination” (o exame de um maçom) e nessas edições, colocou todo o conteúdo do juramento prestado pelo Aprendiz no dia de sua Iniciação.

Quando o Vaticano, através dos assessores do Papa Clemente XII, resolveu tomar uma medida punitiva contra os Membros de algumas Lojas Maçónicas da Itália, repito, por causa de sua conhecida “universalidade” maçónica, resolveram estender isso para toda a Ordem existente na Europa católica. Acontece que a Maçonaria em sua Origem é eminentemente Cristã, na Inglaterra, Escócia e Irlanda não católica, mas cristã.

Quando os padres inquisidores, principalmente em Portugal e Espanha, foram atrás de seus membros para proibi-los de se reunirem sob pena da excomunhão, surpreenderam-se, pois todas as Lojas já não mais se reuniam, resolveram encerrar suas actividades assim que tomaram conhecimento da proibição pela Bula Papal.

Podemos perceber aqui que, como sabemos, os Maçons respeitaram o que juravam, assim como fazemos hoje, respeitar as Leis, os Poderes Constituídos e a soberania dos Reis e, naquela época, uma ordem Papal era Lei.

Ninguém fora da Ordem sabia que o juramento “terrível”, restringia-se apenas à divulgação dos toques, sinais e palavras pelos quais os Obreiros utilizavam para se reconhecer em qualquer lugar do mundo.

A Maçonaria naquela época era realmente de ajuda mútua, quando um Irmão precisava de ajuda, os outros se reuniam e o ajudavam para evitar que “profanos” tirassem proveito dessa ajuda mútua, juravam segredo quanto aos sinais, toques e palavras... Comportamento este herdado das antigas guildas de pedreiros livres.

Bem resumidamente, o incomodo que o Barão Stosch causava no Clero com seus discursos revolucionários, associada a essa falta de entendimento da diferença do juramento, mais o medo da força que a Ordem vinha adquirindo por causa do nível intelectual de seus membros e da “febre’ que acometeu a alta sociedade europeia em participar da Ordem, foram as principais causas para a Edição da Bula.

Esses fatos resumidamente colocados acima, são ingredientes mais do que suficientes para compreendermos o que aconteceu depois...

É da natureza humana criar monstros onde não existem, o desconhecimento causa perturbação, que geram as suposições e as teorias conspiratórias, que acabam tornando-se problemas reais... Daí à acção é apenas um pequeno passo....

Ler original aqui

sábado, 25 de julho de 2009

Conto iniciático-Branca de Neve


"Uma vez, no auge do inverno, quando flocos de neve caem como plumas das nuvens, uma rainha estava sentada à janela de seu palácio, costurando as camisas de seu marido. Nisto, levantou os olhos, espetou um dedo e caíram gotas de sangue na neve. E vendo o vermelho tão bonito sobre o branco, a rainha pensou:-- Queria ter uma filha tão alva quanto a neve, tão vermelha como este sangue e tão negra como o ébano desta janela. Pouco tempo depois lhe nasceu uma filha que era branca como a neve, vermelha como o sangue e com uns cabelos negros como ébano. Por isso lhe puseram o nome de Branca de Neve. Mas, quando ela nasceu, a mãe morreu..." (1)
Logo de saída a história de Branca de Neve nos indica q o ponto de vista a ser tomado para entendê-la, mais profundamente, é o iniciático. Chama atenção que o personagem central, Branca de Neve, sintetize em si as três cores que simbolizam, no Hermetismo (2), as três etapas da prática espiritual estabelecida por aquela doutrina: o negro, o branco e o vermelho que correspondem, respectivamente, ao nigredo, albedo e rubedo dos alquimistas. Além disso, os sete anões, que trabalham numa mina buscando ouro, são uma clara alusão a outro aspecto do simbolismo alquímico, que nos informa ser a meta do alquimista a transformação dos metais impuros em ouro.
Não é também por acaso que a história se divide claramente em três partes. Na primeira, Branca de Neve vive no castelo comandado pela rainha má desde o nascimento até quando foge do caçador pela floresta; na segunda, vive na casa dos sete anões até se engasgar com a maçã envenenada; na terceira, vive no castelo do príncipe unida com ele, "felizes para sempre". É evidente aqui a aplicação do simbolismo do número três aos graus do conhecimento e, por extensão, às três fases da realização na via espiritual.
A essência e o obcjetivo da via espiritual iniciática é a união com Deus. Essa união só é possível porque ser homem é sê-lo à imagem e semelhança de Deus. O mito de Adão e Eva nos ensina que depois da queda, este aspecto essencial do humano tornou-se ineficiente. Por isso, toda e qualquer tentativa de reintegração da forma humana no seu Arquétipo infinito e divino, (a volta ao paraíso), só é possível se antes for regenerada à pureza do estado original humano. Tomado em sua significação espiritual, a transmutação do chumbo em ouro é nada mais nada menos do que a reintegração da natureza humana na sua nobreza original. (3)
De modo análogo ao relato do Gênesis, o conto nos informa que no princípio viviam em harmonia complementar um par de opostos, o Rei e a Rainha-Mãe boa. Com a morte da Rainha-Mãe e após o nascimento de Branca de Neve instaura-se um desequilíbrio, uma espécie de afastamento da unidade, que é representado pela chegada da rainha má. Assim, depois da morte da mãe, Branca de Neve perde sua dignidade de princesa no castelo do pai e se torna uma serva da madrasta má. Na linguagem da história, isso corresponde a uma queda similar àquela descrita pelo Gênesis no mito de Adão e Eva. Agora, filha de um viuvo, Branca de Neve, apesar de ter a marca das três cores, que a qualifica como um ser especial, cai numa função subalterna dentro do mundo profano, marcado pela dualidade, pela dispersão, pelas paixões e dominado pela rainha má. O conto nos mostra que é necessário reunir em si o disperso, reintegrar-se em retiro além da floresta e nas montanhas, para depois se unir ao Espírito, que aqui é sem dúvida figurado pelo Príncipe.
A rainha madrasta descobre que Branca de Neve é a mais bela quando esta última faz sete anos. A rainha má é obcecada com a comparação quantitativa do aspecto estético e, portanto, apenas sensorial da realidade. Ela é incapaz de perceber qualquer beleza interior. A unidade do belo, do bem e da verdade que todas as tradições religiosas e filosóficas proclamam da maneira mais veemente inexiste na rainha má, por causa de uma concentração exagerada da inteligência dela no aspecto mais externo da realidade material.

No íntimo do ser humano, o bem é bonito e o belo é verdadeiro (4). Significativamente, e por compensação, a rainha má manda um caçador matar Branca de Neve e trazer-lhe, exatamente, o coração para que ela o coma. O coração, que no simbolismo astrológico é representado pelo Sol e no alquímico pelo ouro, é considerado, nas mais diversas tradições, a morada do espírito, o centro (anatômico e simbólico) do ser onde habita o divino. No entanto, o coração que a rainha come (ou que ela pode comer) é o de um animal (5), que o caçador compadecido sacrifica no lugar de Branca de Neve. Consciente, daí por diante da enorme ameaça de destruição existente no mundo da rainha, e insatisfeita com ele, a alma qualificada foge correndo pela floresta. Sua vida acaba num mundo e se inicia em outro. Mas, essa iniciação não acontece antes que ela passe por uma provação que se revela, no fundo, uma purificação.

NOTAS:
1. Grimm, Os mais belos contos de fada de Grimm, tradução de Maria Lúcia Pessoa de Barros, Editora Vecchi, Rio de Janeiro, p.p. 27.
2. René Guénon, Aperçus sur l'Initiation, Éditions Traditionnelles, 1953, pp. 265.
3. A Ars Regia, outro nome da alquimia, faz parte dos chamados pequenos mistérios.
4. Vale lembrar aqui que uma das caraterísticas mais marcantes da época atual, assinalada tanto por sociólogos quanto por filósofos, é a perda da unidade dos valores estéticos, éticos-religiosos e cognitivos.
5. Uma corça ou um javali, dependendo da versão da história. É bom lembrar que o javali é um símbolo tradicional da casta sacerdotal e da autoridade espiritual, especialmente no ciclo de histórias da Távola Redonda.

Ler original aqui

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando a carroça faz muito barulho é sinal que vai vazia

Sobre a reportagem do jornal semanário “Expresso” de 9/05/09

Muitos se interrogam sobre a maçonaria e seus mistérios, particularmente quando se está fora desse mundo… Secretismo, ou descrição, têm sido os rótulos que mais se invocam ao longo dos tempos, ficando sempre a pairar em nebuloso horizonte de interrogações uma aura de estranheza que se presta às mais díspares, e infundadas, interpretações…

Os mistérios da maçonaria, rituais, simbologia, são em boa parte uma forma de protecção, pois nem sempre os ideias maçónicos de liberdade, anti-dogmatismo, foram bem acolhidos ao longo dos tempos. Quando as antigas corporações de pedreiros/artesãos/construtores medievais, com suas estritas/restritas regras/regulamentos que protegiam os segredos do ofício, a coberto dos olhares indiscretos de “profanos”, se deixaram impregnar de uma elite pensante que procurava recolhimento de poderes totalitários, incluindo a inquisição, transmutaram-se de corporações operativas/práticas em estruturas especulativas dando origem, no iluminismo do séc. XXVIII à maçonaria…

Os pedreiros (maçons) não são mais agora os trabalhadores/cortadores das pedras para a construção dos templos mas sim livres pensadores, filósofos, que procuram alicerces para o levantamento do templo do conhecimento, portadores da luz/razão que edifica o homem com base nos universais princípios da igualdade, fraternidade e liberdade. Procurando superar as paixões mundanas, visando a purificação dos vícios na busca da virtude, procurando o recolhimento exigido pela profundidade da reflexão, a maçonaria teve desde as suas origens, então, um sentido de superior descrição próprio de quem busca valores mais elevados, acima da turba…

Os tempos não alteraram este sentido das coisas, apenas acentuam, na conturbada vivência da actualidade, a estranheza que a maçonaria parece causar ao preferir o discreto silêncio contra a ebulição exacerbada do ruído das massas. Por isso mesmo faz ainda mais sentido, na protecção de uma certa tradição, que a maçonaria não se desvele/revele como show de “Big Brother”, mostrando que na inconstância dos tempos a modernidade passa pelo respeito e/ou assunção do passado.

Resulta sempre algo bizarramente estranho quando auto-intitulados maçons se dispõem a desvendar “segredos”/mistérios, que nada têm como tal, da arte real (práticas maçónicas). Talvez não sejam verdadeiramente maçons… Ou talvez as suas “lojas” o sejam no sentido literal do termo, não lugares de estudo mas sim bazares de produtos esotéricos de personagens ridiculamente vestidas como talhantes, ou sopeiras, como mostram as fotos da última reportagem do Expresso… Aos incautos que se acautelem… Maçonaria é coisa séria… O hábito não faz o monge, mesmo que o traje seja pago a peso de ouro…

Numa época em que tudo se compre e se vende também há quem comercialize maçonaria fabricando maçons como quem fabrica “fast food”… Mas isto não é mais do que simples ruído de quem leva uma carroça cheia de coisa nenhuma… A maçonaria prima pelo substantivo silêncio, vive no recato de uma vida interior, em comunhão simples com quem se reconhece também como maçom, tendo como dever superior intervir no mundo como os melhores, de entre os melhores, para uma sociedade mais justa e perfeita.

Pobre trabalho jornalístico, inexacto, vendeu gato por lebre… Perderam os leitores…


segunda-feira, 4 de maio de 2009

A HISTÓRIA E A LENDA DE PRINCE HALL

ler original aqui

A maçonaria Prince Hall, ou seja a maçonaria dos negros dos EEUU

Deve-se destacar, na figura de Prince Hall, a parte real, mas menos romântica, resgatada pela moderna pesquisa historiográfica e a lenda, devida, na maioria das vezes, a Grimshaw e que vem sendo alimentada pelo povo maçónico afro-americano. A moderna historiografia estima que Prince Hall nasceu em 1735 em lugar desconhecido. Alguns especulam que teria nascido em Barbados nas Índias Ocidentais, outros que teria sido na África enquanto uma minoria chega a afirmar que o seu local de nascimento seria os Estados Unidos. Documentos analisados mostram que teria exercido várias profissões, tais como: trabalhador braçal, artesão de roupa de couro e fornecedor de alimentos. Outros documentos apresentam-no como líder e eleitor numa pequena comunidade negra em Boston.

A versão tradicional, muito aceita mas de pouca ajuda para a pesquisa científica, afirma que Prince Hall nasceu em Bridgetown, Barbados, nas Índias Ocidentais em 1748, filho de Thomas Hall, um inglês, mercador de couro que teria como esposa uma mulher negra livre, de descendência francesa. Teria vindo para a Nova Inglaterra durante a metade do século XVIII, estabelecendo-se em Boston, na colónia de Massachusetts, onde teria se tornado pastor da Igreja Metodista.

A versão tradicional ainda afirma que Prince Hall teria pertencido às fileiras do Exército Revolucionário e lutado na guerra de independência norte-americana. Um ponto controverso tem sido a versão de que Prince Hall tenha sido escravo ou não. Sherman afirma que “tive a fortuna de descobrir, na Biblioteca Athenaeum de Boston, uma cópia do documento de alforria, provando que Prince Hall tinha, originalmente, sido escravo na família de um negociante em roupa de couro de Boston chamado William Hall que o alforriou em 1770”.[3] Certos historiadores afro-americanos rejeitam alguns documentos que tentam demonstrar ter ele sido escravo da família Hall, como se, em sendo isto verdade, teria sido uma desonra para a figura de Prince Hall. Aqui, convém lembrar o dizer da carta de Mahatma Gandhi ao Ir.´. W.E.B. Dubois em 1929: “Não deixem os 12 milhões de negros [norte-americanos] se envergonharem pelo fato de serem descendentes de escravos. N

ão há desonra em ter sido escravo. Há desonra em ter sido proprietário de escravos”.[4] A maçonaria Prince Hall nunca negou iniciação a qualquer ex-escravo desde que preenchesse os requisitos mínimos exigidos pela Ordem. A Grande Loja Unida da Inglaterra, após a abolição da escravidão nas Índias Ocidentais pelo Parlamento Britânico em 1º de Setembro de 1847, mudou a expressão nascido livre para homem livre como requisito para ingresso nas suas lojas. A tradição afirma que Prince Hall teria sido iniciado em 6 de março de 1775. E aqui existe uma controvérsia entre a Loja nº 441 e a Loja Africana , sendo que ambas estariam na gênese da maçonaria Prince Hall, com as implicações do reconhecimento pela Grande Loja Unida da Inglaterra e o problema de haver duas Obediências em um mesmo território.

O historiador Jeremy Belknap afirma que “tendo uma vez mencionado esta pessoa (Prince Hall), tenho a informar que ele foi um grão-mestre de uma loja de maçons livres, composta na sua totalidade de pretos e conhecida pelo nome de ‘Loja Africana’. Isto teria acontecido em 1775, quando esta cidade foi tomada pelas tropas britânicas, possibilitando a montagem de uma loja e ainiciação de um bom número de negros. Após o estabelecimento da paz, enviou-se a Londres um pedido de reconhecimento, obtendo-se uma carta timbrada pelo duque de Cumberland e assinada pelo conde de Effingham”.[5]

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Regularidade e Irregularidade

ler Original aqui

A Maçonaria Regular a partir do Sec. XVIII


Perguntarão alguns porquê começar o debate por esta época? A resposta é simples e evidente: - Porque antes, o problema não se punha!...

Só a partir de 24 de Junho de 1717, data considerada como oficial para a fundação da chamada "Loja de Londres",embrião da futura Grande Loja Unida de Inglaterra, e da -Maçonaria dita especulativa-, se começa oficialmente a tornar necessário, o reconhecimento oficial entre "irmãos" de "Obediências" diferentes. Até aí, e dentro do espírito da "Maçonaria operativa" bastava aos -maçons- reconhecerem-se entre si através de "palavras, toques e sinais".

O diálogo "- Sois maçon? " Os meus irmãos reconhecem-me como tal" ultrapassava, como acho deverá sempre ultrapassar, a "simples" fórmula ritualista.

Mas simultaneamente aqui começa a perversão do conceito de "regularidade" e a sua interligação com o de "reconhecimento". O Grande Oriente de França, potência hoje considerada irregular, adiante veremos porquê, em pleno Sec.XVIII, afirmava que " era regular todo o maçon que trabalhava numa Loja regular, sendo por sua vez regular toda e qualquer Loja que como tal fosse reconhecida pelo Grande Oriente de França". Mais concretamente " Uma Loja dotada de constituições atribuídas ou renovadas pelo Grande Oriente de França único a poder concedê-las"...(1773, Art.ºs II e III da Constituição).

É já manifesto o equívoco entre regularidade e reconhecimento por um lado e por outro a falta de distinção entre a regularidade formal e o "trabalhar regularmente". Trata-se de um equívoco histórico que tem sido alimentado, por razões distintas por várias Obediências, regulares e não regulares.

A verdade é que, quer queiramos quer não, tudo começa precisamente nas "Constituições ditas de Anderson" que marcam o início da transformação de uma Maçonaria profundamente teísta numa Maçonaria deísta. Por razões religiosas e sobretudo políticas.

Precisamente razões que as referidas Constituições impõem banir das discussões em Loja! Na realidade o que se pretendia era neutralizar a influência e supremacia dos Católicos stuartistas e é este tipo de comportamento que inicia outro grande equívoco histórico, o das condenações por parte da Igreja de Roma.

A partir daqui começa-se a impor o conceito "anglófilo" de que são regulares os maçons que pertencem a uma Loja regular a qual deve trabalhar à Glória de um "Ser Supremo", o Grande Arquitecto do Universo", Deus, Princípio Único e Criador de todas as coisa, obedecendo portanto ao expresso nas "Constituições de Anderson", e aqui pode-se perguntar quais delas, se as de 1723, a que se reporta o G.O.D.F., o qual se inicia tecnicamente em 1738 e nasce politicamente em 1773 ou se as de 1737 a que se reporta a Grande Loja Unida de Inglaterra que só é constituída em...1813 e, hoje em dia, se refere também aos "Landmarks" de... 1929...

Aparentemente levanta-se neste último raciocínio o problema de o Grande Oriente de França, figura de proa da dita "irregularidade" ser, afinal, historicamente anterior à Grande Loja Unida de Inglaterra, maioritariamente senhora da chamada "regularidade maçónica"... e daí ser discutível qual das duas -Potências- detém a legitimidade de atribuir regularidade e irregularidades.

Este ponto de vista, que é defendido pelo G.O.D.F. e "Potências" afins é, na minha opinião, não pertinente e pela simples razão de que carece da pré-definição do que se entende por regularidade tradicional. Com efeito o comportamento histórico do G.O.D.F. durante o Sec. XIX a partir de 1849, e mais concretamente em 1877 em que se torna facultativo a evocação ao G.A.D.U., o trabalhar com a presença do Livro Sagrado etc., é esse comportamento que se desvia do que estava anteriormente aceite e definido e que justifica o estigma de irregularidade que lhe é atribuído pela U.G.L.E.

Se por um lado, e no seguimento das ideias herdadas da Revolução Francesa, se poderá entender o alargamento do ideal maçónico a todo o tipo de homens, religiosos ou não, ou seja adeptos de qualquer religião, ateus e agnósticos, em nome da fraternidade e da tolerância, por outro entra-se na imposição do "laicismo" que vai acarretar por sua vez um "anti-clericalismo" com os excessos que se conhecem e que entram pelo próprio Sec. XX. .O que, precisamente, contraria esse mesmo ideal de tolerância!

As "Potências" que se alinham com o G.O.D.F. insistem em defender que a regularidade é um falso problema que apenas serve os interesses anglo-saxónicos e em particular os da Grande Loja Unida de Inglaterra. Este ponto de vista é, por sua vez, acompanhado frequentemente de afirmações mais ou menos veladas de "vassalagem" das Obediências regulares à U.G.L.E.

Por sua vez as "Potências" regulares acusam as "irregulares" de "vassalagem" ao Grande Oriente de França e encaram-nas, frequentemente, com uma certa suspeição eivada de fantasmas dos séculos passados.

Sabemos também que a "regularidade" não reconhece legitimidade nem às Lojas Femininas nem às Mistas, bem como, na maior parte dos casos, a certos ritos muito em voga na Maçonaria Sul-Americana. Não vamos aqui discutir estes pontos para não nos afastarmos do fundamental.

Trata-se de um diálogo de surdos que, apesar de tudo, vai sofrendo evoluções. Por um lado começam a existir casos em que a U.G.L.E. admite mais do que uma Loja Regular por país. Por outro o conceito de "Ser Supremo", o "Supreme Beeing", começa a ficar cada vez mais diluído. Por outro, Obediências existem que trabalhando regularmente não são reconhecidas como tal...Afinal em que ficamos?

Tentemos então destrinçar o problema separando e definindo conceitos o que talvez nos obrigue a reequaciona-lo por completo.

LOJAS REGULARES E TRABALHO REGULAR

Pressupondo que "trabalhar regularmente é trabalhar na presença do Livro da Lei Sagrada, respeitando as Constituições e Landmarks e , sobretudo, crendo e evocando o Grande Arquitecto do Universo, Deus, Criador de todas as coisas e acreditando na Imortalidade da alma," Lojas há que, apesar disso não são reconhecidas como regulares.

Gostaria de colocar três questões que não deverão ser entendidas no âmbito nacional mas universal.

O problema que se põe ao "Maçom Regular" será "devo considerar os maçons que delas fazem parte como meus "Irmãos""??

Por outro lado maçons de Lojas "irregulares", trabalhando "irregularmente" deverão ser considerados "maçons" ?

E, finalmente, que dizer de "Irmãos" que dentro de uma Obediência pressuposta Regular não trabalham regularmente?...Serão "Irmãos"?

São três perguntas propositadamente provocatórias que coloco à Vossa consideração.

Salvo melhor e douta opinião é meu entendimento que a resposta comum a todas estas questões é só uma: -" Sim, só e se eu os reconhecer como tal".

Porquê? Porque é a resposta que desloca para dentro de cada um de nós oincómodo da pergunta. Tudo depende, afinal, do que se absorveu do ideal maçónico e das razões que nos levam a integrar a Ordem.

É evidente que a Maçonaria moderna obriga irremediavelmente a regras de convivência e reconhecimentos diplomáticos mútuos que terão de ser respeitados. Com certeza. Mas neste ponto, como noutros, o que interessa, é saber do que se está a falar concretamente.

E sem nos esquecermos que ao integrar Instituições livremente, que possuem determinadas Constituições e Regulamentos, teremos fatalmente que cumpri-los sob pena de uma promiscuidade perversa conduzir a uma anarquia prejudicial!

E se rejeitamos esse cumprimento apenas nos resta abandonar de facto essas Instituições. O facto de não haver visitas rituais entre Irmãos de Obediências regulares e irregulares não os impede de nutrir entre si uma fraterna amizade e uma sã convivência baseada na tolerância e igualdade.

Não há dúvida de que a - Maçonaria - fatalmente evoluiu e evolui todos os dias e que a Maçonaria de hoje não é exactamente a mesma de a de há trezentos anos!

Adivinho que alguns de Vós já estarão a dizer para com os seus botões "Pronto, olha que maneira airosa de concluir e ficar bem com todos"... Desculpem se os vou surpreender e talvez mesmo chocar... Ainda não terminei.

É verdade que conclui as minhas considerações. Mas apenas na área do ideal maçónico e das linhas mestras da acção exotérica da Maçonaria no mundo. E aí aplica-se tudo o que foi dito antes. Porém, se entrarmos pelo lado esotérico e pela Tradição Iniciática as coisas complicam-se muitíssimo, a meu ver. Pessoalmente aí já se torna racionalmente incompreensível admitir a incursão de um ateu puro na esfera do sagrado, por exemplo. Aí teremos, no meu entender, de rever não o nosso conceito actual de Regularidade mas o nosso conceitoactual de... Maçonaria!

E se formos demasiado exigentes, e entendermos que a Maçonaria deTradição, que nos foi transmitida desde os mais remotos tempos até 1717 éque era a verdadeira Maçonaria, então seremos forçados a admitir que é perfeitamente estéril discutir a Regularidade quando aquilo que nalguns casos se pratica muito pouco tem a ver com o que nos deveria ter sido transmitido.

Poderemos então até perguntar se essa Maçonaria ainda existe e sob que forma, em que Rito ou Regime.

E aí eu responderia quase pela negativa, embora onde ela exista numa forma mais próxima da Maçonaria de Tradição seja precisamente dentro de alguma Maçonaria Regular.

De qualquer modo o mais importante será, independentemente do que recebemos e praticamos, conseguirmos um dia deixar este mundo melhor do que o encontrámos e poder responder à pergunta - "Eras Maçon?" - Pelas palavras "Todos os meus Irmãos me consideravam como tal"!

sábado, 21 de março de 2009

Ressurreição

Jornal Global Notícias 19-03-09

Na Tailândia, a fé tem um ritual que pode parecer insólito ao mundo ocidental. Os devotos alugam caixões para poderem rezar no seu interior e assim "livrarem-se do mal".

Na última quarta-feira, milhares de devotos cumpriram, mais uma vez, o ritual, em Nakhon Nayok, a 100 quilometros de Banguecoque, na Tailândia. Dentro do templo, Wat Prommanee, os crentes pagam 3.80 euros para participarem no "ritual da ressurreição", onde se deitam dentro dos caixões budistas, com flores, e esperam que os monges passem por eles com um manto branco, ao som de um cântico simbólico sobre a morte.

Após a bênção dos monges, os devotos levantam-se dos caixões, acreditando que estão purificados e renascidos com protecção na saúde, contra o mal e com os seus desejos realizado
s. (original)